Precisamos de mudar! Estamos preparados?



Por Alexandra Azevedo, presidente da Direção Nacional da Quercus – ANCN

Perante o agudizar dos problemas ambientais a palavra de ordem é: «mudança». Mas… estaremos preparados? Estaremos conscientes em relação ao que temos mesmo de mudar? E como? Estaremos conscientes dos reais limites do planeta e das implicações nos nossos padrões de consumo? Até que ponto estamos disponíveis para rever padrões de consumo e a nossa relação com a natureza?

Apesar de se falar cada vez mais de sustentabilidade o que se tem verificado é um consumo cada vez maior, de energia e bens de consumo em geral. O apelo ao consumo e à diversão com meios tecnológicos é permanente desviando a nossa atenção de um  contacto mais próximo com a natureza.

Na verdade, há uma distância que separa a constatação da necessidade de mudança e a sua concretização, desde logo porque mudar hábitos é difícil, implica uma reflexão sobre as nossas prioridades e reais necessidades.

Lamentamos a destruição das últimas florestas primárias do planeta, como a Amazónia (já agora convém lembrar que já não é um dos pulmões do planeta, pois a velocidade da sua destruição é superior à capacidade de sequestrar carbono e libertar oxigénio, para já não falar do rasto de extinção de espécies…), e esquecemos que também a nossa floresta nativa, a nossa “Amazónia”, foi destruída!

Com o avanço das cidades e de todas as atividades humanas para suportar o nosso estilo de vida fomos perdendo o nosso bosque natural. O nível de degradação do nosso planeta atingiu um nível tal que não basta mudar hábitos, precisamos de regenerar território e recuperar o bosque perdido! E outras dificuldades se colocam:  estamos tão afastados da natureza que mesmo querendo ajudar não sabemos como, não conhecemos a própria natureza, e faltam-nos experiências sensoriais e emocionais, e inevitavelmente faltam-nos memórias.

Uma leitura lúcida e honesta da situação é difícil, mas necessária.  O colapso afigura-se uma inevitabilidade, dada a velocidade da degradação. A boa notícia é a capacidade de regeneração da natureza quando mudamos a nossa relação para um modelo de cooperação, em vez de tentativa de “controlo” atual. Há por isso cada vez mais exemplos, modelos de produção, comunidades, modos de vida com uma relação harmoniosa com a natureza.

É cíclico nas sociedades humanas sistemas e civilizações que emergem, prosperam e colapsam. O que não mudarmos por consciência serão os acontecimentos a obrigar-nos a isso. De nada servem argumentos que procuram iludir e desviar-nos, muitas vezes no sentido oposto, do caminho a seguir. Cabe a cada um de nós fazer o exercício permanente de melhoria constante para o novo ciclo regenerador e de cura do planeta para que as gerações mais novas e futuras possam ter uma vida próspera, entendido como um estilo de vida materialmente suficiente e intelectualmente rico.



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