Presidente da CCDR-N diz que situação difícil de seca obriga a mudar comportamentos



O presidente da CCDR-Norte disse hoje que a situação de seca é de “grande dificuldade” e vai obrigar a mudar comportamentos, enaltecendo o “quadro de acordo” entre Portugal e Espanha relativamente aos caudais dos rios ibéricos.

“A situação é de grande dificuldade, grande constrangimento, vamos todos ter de aprender a viver com ela, mudar comportamentos, até desviar alguns dos investimentos que estamos a planear para o próximo quadro e centrá-los mais na questão da água”, afirmou António Cunha, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-Norte).

O responsável falava à agência Lusa à margem do lançamento da nova edição do programa de cooperação INTERREG Espaço Atlântico 2011-2027, em Viana do Castelo, e a propósito da redução das descargas de água de barragens espanholas da bacia do Douro, acordada entre os governos de Portugal e Espanha, que assumiram a impossibilidade de cumprimento dos caudais mínimos.

“Em patrimónios hídricos partilhados, como são os rios ibéricos, o que é necessário é que haja, de facto, uma concertação entre os dois governos (…) Para mim o que é importante, que me deixa de algum modo confortável, é que isto foi feito num quadro de acordo entre os dois governos e é isso que devemos assinalar”, afirmou António Cunha.

Caso a situação piore, o presidente da CCDR-Norte considerou que “exigirá um quadro de concertação ainda mais exigente, mas é dentro desse quadro negocial e de concertação que as coisas se devem realizar”.

Na quarta-feira, os governos ibéricos confirmaram, num comunicado conjunto, que até sexta-feira, quando termina o atual ano hidrológico, Espanha “não irá cumprir com os caudais anuais nos rios Tejo e Douro, que se antecipa que fiquem em cerca de 90% dos valores estabelecidos na Convenção”.

Portugal e Espanha comprometeram-se a encontrar “soluções que minimizem os impactos” da seca, admitindo preocupação perante as previsões meteorológicas que obrigarão ao reforço da coordenação da gestão da água e da libertação de caudais.

“Ambas as partes, no quadro da Convenção de Albufeira, estão determinadas a analisar a situação e a procurar soluções que minimizem os impactos da escassez de água”, afirmaram os dois países numa declaração conjunta divulgada pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática.



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