O projeto de educação ambiental Emc² – “Explorar Matos de Camarinha da Costa”, desenvolvido pelo centro de investigação MARE-ARNET, foi distinguido, em junho de 2025, com o Prémio Ana Maria Vieira de Almeida, pela publicação de um livro que aborda os desafios do ensino da botânica no Ensino Básico, foi divulgado em comunicado.
Segundo a mesma fonte, a iniciativa, que tem como foco a divulgação e conservação da camarinha (Corema album), uma planta típica das zonas dunares costeiras, destaca-se pela sua componente educativa e pela ligação entre ciência, arte e conservação ambiental. Estas áreas costeiras, cada vez mais pressionadas pelas alterações climáticas e pela perda de biodiversidade, tornam-se um espaço privilegiado para a aprendizagem e a sensibilização ecológica.
Uma pedagogia que liga ciência, arte e natureza
Criado em 2016, o projeto Emc² tem vindo a ser implementado em várias regiões do litoral português – de Caminha a Almancil – e baseia-se numa metodologia composta por três vertentes principais: visitas de estudo, atividades de botânica e arte, e ações de conservação.
As visitas de campo permitem que os alunos conheçam, no terreno, o ecossistema dunar e as plantas que o habitam. De regresso à sala de aula, os estudantes desenham as espécies observadas, numa abordagem de “Educação Baseada no Lugar”, que pretende reforçar o sentimento de pertença e ligação à natureza.
Em Caminha, o projeto integra ainda uma vertente prática de conservação: a propagação e reintrodução da camarinha na Mata do Camarido, com o apoio do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), da Associação COREMA, das escolas locais e das autarquias.
Desde 2018, centenas de alunos participaram na plantação e monitorização de novas plantas, tendo a mais recente ação, realizada em outubro de 2025, envolvido a reintrodução de cerca de 4.400 exemplares de camarinha. O sucesso da iniciativa levou à sua inclusão no portal internacional “Panorama Solutions”, que reúne exemplos de boas práticas em conservação ambiental.
Aprender a amar a Terra para a proteger
Os responsáveis pelo projeto defendem que a educação ambiental deve ir além da teoria, apostando em experiências reais e emocionalmente marcantes. A ligação direta à natureza ajuda a combater fenómenos como o “défice de natureza”, a “extinção da experiência” e o uso excessivo das tecnologias digitais, proporcionando benefícios para o desenvolvimento físico, social e cognitivo das crianças.
Para a coordenadora do Emc², estas atividades demonstram que “uma boa educação implica mais do que o intelecto – requer emoção”. O entusiasmo dos alunos, visível nas exposições de desenhos e nas ações de campo, confirma que aprender na natureza é uma forma eficaz e inspiradora de promover a literacia científica e ambiental.
Parcerias e embaixadores da biodiversidade
O projeto aposta ainda em parcerias com a sociedade civil e na criação de uma rede colaborativa para a defesa da biodiversidade. Neste contexto, foram convidados dois atletas de windsurf – Margarida Gil Morais (POR 16) e João Rodrigues (POR 7) – para atuarem como “Embaixadores da Biodiversidade”, divulgando, em eventos desportivos, a importância dos ecossistemas dunares e das espécies endémicas como a camarinha.
Educação e conservação: um compromisso com o futuro
O Emc² é um exemplo de como a educação ambiental pode inspirar ação e responsabilidade coletiva. Em plena Década das Nações Unidas para a Recuperação dos Ecossistemas (2021–2030), o projeto sublinha a urgência de ensinar a conhecer e amar a natureza desde cedo, para melhor a proteger no futuro.
Com o seu “berlinde branco no verde lá fora”, símbolo da delicada beleza das dunas portuguesas, o projeto continua a semear conhecimento e consciência ecológica, lembrando que o nosso planeta – esse “berlinde azul no escuro lá fora” – depende de todos nós para ser preservado.









