Projeto português transforma efluentes de suiniculturas em fertilizante orgânico



O destino final dos efluentes de suiniculturas tem sido um problema debatido no país, dado que várias vezes estes vão parar aos cursos de água e provocam a deterioração dos ecossistemas de água doce. A valorização dos mesmos é a solução mais indicada, porque além de promover uma economia circular, garante que os mesmos não são descartados no meio ambiente sem qualquer tipo de tratamento.

A Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica no Porto e a empresa Pipe Masters juntaram-se para criar uma nova tecnologia, a Freetilizer, que trata e valoriza os efluentes de suiniculturas, dando origem a um fertilizante orgânico.

“Através de uma hidrólise enzimática de resíduos e subprodutos orgânicos, o Freetilizer permite a recuperação de nutrientes. Desta forma é possível aproveitar o que atualmente é um custo e transformá-lo num proveito para as organizações, numa ótica de economia circular e de minimização do impacto ambiental de resíduos”, explica Miguel Ramos da Pipe Masters. “O processo desenvolvido dura apenas 24 horas, em comparação com, por exemplo, um processo de compostagem que demora meses”.

Ana Teixeira Oliveira, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina (CBQF) da Escola Superior de Biotecnologia da Católica no Porto, refere que “os estudos realizados, que incluíram a avaliação do potencial da matéria fertilizante e ensaios de fitotoxicidade e de performance com plantas modelo para avaliar a qualidade e segurança do produto desenvolvido,” concluíram que o “fertilizante orgânico gerado com esta tecnologia é rico em nutrientes e apresenta um efeito promotor do crescimento das plantas”. Além disso, acrescenta a investigadora, “a caracterização microbiológica do produto assegura a sua segurança de utilização para produção de alimentos e para o meio ambiente”.

Aplicada como possível tratamento e valorização de efluentes de suiniculturas, tendo sido testada em efluentes provenientes de explorações da região de Leiria, a tecnologia Freetilizer “valoriza as diferentes componentes do resíduo aquoso que após centrifugação, permite separar e obter uma fração líquida e uma fração sólida. A fração sólida é posteriormente processada num reator industrial pelo processo de hidrólise enzimática, o que permite a conversão da matéria orgânica da fase sólida em compostos mais bio disponíveis, obtendo-se assim um fertilizante orgânico. A fração líquida será concentrada utilizando um sistema de vácuo que permite uma secagem eficiente com baixo consumo energético originando um fertilizante orgânico líquido”, esclarece Miguel Ramos.



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