“Quanto mais ameaçamos a Natureza, mais vulneráveis nos tornamos”, alerta Ursula von der Leyen



A presidente da Comissão Europeia apela a todos os governos do mundo para que na cimeira das Nações Unidas para a Biodiversidade, a COP15, que acontece em dezembro no Canadá, “adotem um acordo global ambicioso pela Natureza”.

Numa mensagem de vídeo no âmbito do evento ‘Contagem decrescente para a COP15: Evento de Referência de Líderes para um Mundo positivo para a Natureza’, Ursula von der Leyen salientou a interdependência entre a biodiversidade e a saúde humana, a segurança alimentar e a resiliência face às alterações climáticas.

“Cerca de 66% da vida selvagem localiza-se em apenas 2% da Terra” e “estamos a perder Natureza e biodiversidade a um ritmo sem precedentes”, alertou a responsável, denunciando que as sociedades humanas estão a empurrar o mundo natural “para bolsas cada vez mais pequenas” e “estamos a pagar o preço”.

Reconhecendo que “quanto mais ameaçamos a Natureza, mais vulneráveis nos tornamos”, Von der Leyen afirma que as sociedades e governos precisam de garantir a saúde e a diversidade das florestas, pois só assim será possível que esses microcosmos de vida possam armazenar água e carbono e proporcionar proteção contra os incêndios.

E acrescenta que também só com ecossistemas marinhos saudáveis é possível alimentar as populações humanas que deles dependem e ajudar a regular o clima.

“Por isso, o mundo precisa de traçar objetivos ambiciosos em Montreal na COP15”, avisou, elucidando que as oportunidades económicas são igualmente vastas no que respeita à proteção da Natureza.

“O Fórum Económico Mundial estima que mais de metade da produção a nível global depende da Natureza e dos seus serviços”, afirmou, e que “ao tomarmos melhor cuidado da Natureza, podemos mitigar e adaptar-nos às alterações climáticas, porventura com menores custos”. Von der Leyen calcula que “por cada euro que gastamos com a regeneração de ecossistemas danificados, recebemos de volta pelos menos oito euros”.

Foi essa constatação que motivou a Comissão Europeia a propor, em junho passado, a primeira Lei Europeia para o Restauro da Natureza, que exige que os Estados-membros revitalizem as suas florestas, zonas húmidas e paisagens marinhas e terrestres negativamente afetadas pela ação humana.

Bruxelas estima que atualmente mais de 80% dos habitats do continente estejam num estado ‘pobre’ de conservação, pelo que advoga que a sua recuperação e proteção são essenciais para combater os efeitos das alterações climáticas e para salvar espécies da extinção.

Thierry Lucas, Coordenador de Gestão de Ecossistemas para a Europa do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP), afirmou que essa “proposta sem precedentes” tornaria o restauro da Natureza “legalmente vinculativo” e “serve de inspiração para outras regiões do mundo”.

Com os olhos postos na COP15, Von der Leyen defende que os líderes mundiais têm de assumir três compromissos indispensáveis: reverter a perda da biodiversidade e proteger 30% dos habitats em terra e no mar; conceber e implementar um sistema justo de monitorização para avaliar o progresso dos vários Estados-parte da Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica; e aumentar o financiamento para a biodiversidade, público e privado, interno e internacional.

“Como anunciei no ano passado, a União Europeia está a duplicar o seu financiamento para a proteção global da biodiversidade”, recordou, “especialmente para os países mais vulneráveis”.

Von der Leyen admite que as tarefas que o mundo tem pela frente não serão fáceis, “mas podemos fazê-lo”.



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