Quercus: Inundações em Lisboa “são a imagem de uma capital em crise”

“Há anos que a Quercus – Núcleo Regional de Lisboa alerta para esta inevitabilidade. A incapacidade da cidade para absorver e escoar águas pluviais é um problema crónico, agravado exponencialmente pelas alterações climáticas e pela impermeabilização crescente dos solos”.

Redação

A depressão Leonardo afetou particularmente a Grande Lisboa e Oeiras, provocando cheias, deslizamentos de terras, estradas cortadas e evacuações preventivas. Uma semana depois da tempestade Kristin, a chuva intensa voltou a colocar o território sob forte pressão, com a Proteção Civil a registar mais de uma centena de ocorrências, maioritariamente associadas a inundações. Apesar de um impacto global inferior ao de Kristin, Leonardo agravou a vulnerabilidade de infraestruturas e populações já fragilizadas por eventos recentes.

Em Santo Amaro de Oeiras, a Ribeira da Laje transbordou, galgou margens e inundou zonas junto ao Jardim Municipal e à estação ferroviária, atingindo viaturas estacionadas e submergindo equipamentos urbanos; várias áreas permaneceram cortadas, com intervenção da PSP e dos bombeiros. Registaram-se situações semelhantes em Paço de Arcos e na zona ribeirinha do Tejo, em Alhandra e Vila Franca de Xira, onde a água invadiu ruas e avenidas. Na cidade de Lisboa, verificaram-se inundações em artérias críticas, com impactos na circulação e na segurança.

Na região Oeste, nas últimas 24 horas, 12 pessoas ficaram desalojadas — em Torres Vedras e Arruda dos Vinhos — e 22 foram retiradas preventivamente das suas casas por risco de cheias e deslizamentos, tendo sido realojadas em equipamentos municipais ou em casas de familiares. Estes episódios “reforçam a necessidade de respostas estruturais de prevenção e adaptação face à recorrência de fenómenos extremos que têm marcado o início de 2026”, sublinha a Quercus em comunicado.

Segundo a mesma fonte, “há anos que a Quercus – Núcleo Regional de Lisboa alerta para esta inevitabilidade. A incapacidade da cidade para absorver e escoar águas pluviais é um problema crónico, agravado exponencialmente pelas alterações climáticas e pela impermeabilização crescente dos solos”.

A Quercus – Núcleo Regional de Lisboa insta as autoridades municipais e governamentais para:

● Aceleração Urgente do Plano de Desimpermeabilização da Cidade: É fundamental substituir vastas áreas de asfalto por solos permeáveis, criar mais jardins de chuta e parques que funcionem como bacias de retenção naturais.
● Revisão Emergente do Plano Diretor Municipal e dos Projetos de Obras Públicas: Todos os novos empreendimentos e requalifi cações devem ser obrigados a incluir sistemas de retenção e infi ltração de águas pluviais no local (como pavimentos drenantes e cisternas).
● Investimento Massivo em Infraestruturas Verdes e Azuis, priorizando as zonas identifi cadas como críticas. A solução não pode passar apenas por aumentar a drenagem.
● Criação de um “Fundo de Emergência Climática” municipal, dedicado exclusivamente a ações de adaptação e resiliência, fi nanciado também por taxas sobre a impermeabilização excessiva.

A crise climática “já não é uma ameaça futura. Está a acontecer agora, nas nossas ruas e à nossa porta. As imagens das últimas horas em Lisboa são um aviso severo. Não podemos adiar mais a transformação profunda que a cidade precisa para se tornar resiliente. Ação política corajosa e investimentos à altura do desafio são fundamentais, pois a próxima tempestade pode ser ainda mais forte”, sublinha a nota.

Os fenómenos climáticos extremos de grande violência “são ocorrências em espaço de tempo cada vez mais curto entre elas, são a definição de crise climática embora se continue a tentar olhar para estes fenómenos como esporádicos a ciência climática advertiu o mundo inteiro para esta questão. Mas as emissões não desaparecem no final do ano. Acumulam-se. Aquecem oceanos. Alteram padrões climáticos durante décadas. Esta questão associada á queima de combustíveis fosseis e os seus impactos eram conhecidos desde os anos 1970. Ainda assim, investiu-se em desinformação, captura política e adiamento sistemático da ação. Com países produtores bloquear qualquer plano concreto de saída dos combustíveis fósseis”, acrescenta.

“Ainda é possível fazer diferente em Lisboa. E a Quercus Núcleo Regional de Lisboa está aqui para dar o seu contributo”, conclui.

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