Um estudo publicado pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) sublinha que a restauração das pescarias nos recifes de coral pode desempenhar um papel importante no reforço da segurança alimentar em países tropicais em desenvolvimento. Os peixes de recife representam uma fonte relevante de alimento, nutrientes e rendimento para milhões de pessoas que vivem em regiões com elevados níveis de insegurança alimentar.
No entanto, a biomassa de peixe em muitos recifes encontra-se muito abaixo dos níveis necessários para assegurar uma produção sustentável máxima. Jessica Zamborain-Mason e colegas quantificaram o potencial de captura e os benefícios alimentares associados à recuperação de pescarias multiespécies em 1.211 recifes de coral, localizados em 23 jurisdições a nível mundial.
A análise sugere que a reconstrução das populações de peixes até aos níveis de produção máxima poderia aumentar os rendimentos sustentáveis em cerca de 50%. Em termos práticos, isto traduzir-se-ia, consoante a região, num acréscimo anual entre 20 mil e 162 milhões de porções adicionais de peixe de recife produzido de forma sustentável.
Em cada jurisdição, a quantidade adicional de alimento poderia satisfazer a ingestão recomendada de produtos do mar, essencial para a saúde cardiovascular, de até 1,4 milhões de pessoas por ano. O tempo médio de recuperação necessário para alcançar estes resultados varia entre 6,4 anos, no caso de uma moratória à pesca, e 49,7 anos, num cenário de exploração máxima ainda compatível com a recuperação dos ecossistemas.
Segundo os autores, muitas das regiões com maior potencial de aumento da produção e do fornecimento alimentar são também aquelas que apresentam níveis elevados de carências alimentares e de micronutrientes, o que reforça a importância da recuperação dos recifes de coral como estratégia para maximizar a produção sustentável e melhorar a nutrição das populações locais.









