Remora: o peixe que nada “à boleia” dos seus companheiros

A remora (Echeneidae) é um peixe bastante conhecido por nadar junto a baleias, tubarões e tartarugas marinhas. Tem na sua cabeça uma espécie de ventosa que a ajuda a fixar aos animais, percorrendo assim grandes distâncias “à boleia”. Segundo a National Geographic, a remora alimenta-se dos restos alimentares do seu hospedeiro e limpa os seus parasitas.

Um estudo do Instituto de Tecnologia de New Jersey (NJIT) investigou a vida das baleias azuis nas zonas costeiras de Palos Verdes e San Diego, na Califórnia, e captou o primeiro registo de atividade de remoras com o hospedeiro.

Ao colocar câmaras nas baleias, os cientistas conseguiram obter informações como a localização, a velocidade de deslocação, a pressão de superfície e as forças de fluído ao redor.

No total foram observadas 27 remoras, e destacou-se a sua presença em 61 locais do corpo da baleia, sendo as regiões da superfície preferenciais. Após análise, os especialistas apontaram três pontos comuns: por cima do espiráculo, ao lado e atrás da barbatana dorsal e em cima e atrás da barbatana peitoral.

Conclui-se assim que o peixe escolhe os locais onde a resistência ao arrasto é reduzida entre 71% a 84%. O NJIT explica que “as descobertas da equipa também mostram que as remoras se podem mover livremente para se alimentarem e socializarem durante a viagem, mesmo quando a baleia hospedeira atinge velocidades de mais de 5 metros por segundo, ao utilizar comportamentos de surf e skimming previamente desconhecidos”, ou seja, deslizando pelo corpo do mamífero.

“As baleias são como a sua própria ilha flutuante, basicamente como se fossem os seus próprios pequenos ecossistemas”, afirma Brooke Flammang, professor de biologia do Instituto. “Por sorte as nossas gravações capturaram como as remoras interagem neste ambiente e como são capazes de usar a dinâmica de fluxo distinta destas baleias em seu próprio benefício. Isto é incrível porque sabe-se muito pouco sobre como as remoras se comportam nos seus hospedeiros na natureza.”

Fonte: Instituto de Tecnologia de New Jersey

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