Rendas altas e competição online “encerram” um terço das livrarias do Reino Unido

Cerca de um terço das livrarias independentes do Reino Unido fecharam na última década, segundo o The Guardian, vítimas das altas rendas e competição das lojas online. Assim, existem hoje “apenas” 987 livrarias independentes no Reino Unido, um número diminuto, se pensarmos que o país tem cerca de 64 milhões de habitantes.

Em Londres, outrora a meca das livrarias, existem hoje apenas 100 lojas. “As ruas da cidade moderna parecem um deserto, com pessoas a correr mas sem nunca se encontarem. Neste ambiente, as livrarias amigas e até excêntricas são um oásis”, explicou um residente de Londres, professor, ao Guardian.

“O único negócio que está a dar lucro agora, em Londres, é o dos bares e restaurantes”, explicou Claire de Rouen, que há uma década mantém uma livraria independente em Charing Cross Road.

Segundo a responsável, as mudanças na rua – inclusive o fecho de uma escola de arte – afastou os potenciais clientes. Claire de Rouen explica ainda que as pessoas mais artísticas estão a trocar Londres por cidades mais regionais. “É excelente para esses locais, mas uma perda para Londres… a capital deixará em breve de ser um sítio interessante para se viver”, concluiu.

De acordo com Dan Lewis, que trabalha na livraria Stanfords, as pessoas conseguem hoje descobrir, online, um livro diferente e que queiram ler. Mas as livrarias continuam a ser um bom local de encontros físicos e centros de cultura.

Brett Wolstencroft, gestor da Daunt Books, não está tão pessimista sobre o futuro do negócio – e que as livrarias têm de se adaptar e oferecer vários eventos aos seus clientes para sobreviveram. “Se empregarmos um bom livreiro durante cinco ou dez anos, ele vai pagar-se várias vezes. E uma boa livraria independente percebe isso”, explicou.

Ainda assim, os aumentos brutais das rendas são uma verdadeira preocupação em Londres, e as livrarias pouco podem fazer para alterar a situação. “A revisão das rendas sempre em alta significa que não gozamos da benesse das rendas baixas durante a recessão. E, quando começamos a recuperar, somos imediatamente atingidos por preços ainda mais altos”, concluiu.

Foto: Paul Joseph / Creative Commons

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