Saída dos EUA de convenção e painel sobre clima é “profundamente lamentável”
A associação ambientalista Zero classificou hoje como “profundamente lamentável e dramática para o mundo” a decisão norte-americana de abandonar 66 organizações internacionais, convenções e tratados, incluindo dois que suportam o combate às alterações climáticas.
“A saída dos Estados Unidos da América de um conjunto de organizações internacionais, convenções e tratados, incluindo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC) e o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), que suportam o conhecimento e a concertação à escala mundial, é profundamente lamentável e dramática para o mundo”, escreveu o presidente da Zero, Francisco Ferreira, numa nota aos jornalistas.
O presidente norte-americano, Donald Trump, assinou na quarta-feira um decreto que desobriga os EUA de 66 organizações internacionais e numerosos tratados, os quais considera contrários aos interesses de Washington, incluindo 31 entidades da Organização das Nações Unidas.
Hoje, Francisco Ferreira afirmou que a decisão de Donald Trump é “um ato de desresponsabilização profundamente condenável, com consequências principalmente para aqueles que menos meios têm para lidar com um futuro pior em termos ambientais e sociais”.
O ambientalista lembrou que o anúncio surge quando “é preciso implementar com urgência soluções globais” para três crises planetárias.
“O planeta vive três grandes crises globais e de longo prazo: crise climática, decrescimento da biodiversidade e excesso de uso de recursos naturais e poluição, para além de uma crise de paz. Estamos também longe de atingir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030”, alertou.
Já hoje, o comissário europeu para a Ação Climática, o neerlandês Wopke Hoekstra, lastimou o abandono da UNFCCC pelos Estados Unidos, garantindo empenho da União Europeia (UE) na cooperação internacional.
“A UNFCCC é a base para a ação climática global. Reúne os países para apoiarem ações climáticas, reduzir as emissões, adaptarem-se às mudanças climáticas e monitorizar a evolução. A decisão da maior economia do Mundo e do segundo maior emissor de se retirar é lamentável e infeliz”, escreveu Hoekstra na plataforma digital LinkedIn.
A UNFCCC, um acordo de 1992 entre 198 países para apoiar financeiramente atividades de mudança climática em países em desenvolvimento, é o tratado subjacente ao histórico Acordo de Paris sobre o clima.
Trump, que chama às alterações climáticas uma farsa, retirou-se desse acordo pouco depois de recuperar a Casa Branca.
O IPCC é uma organização científico-política criada em 1988 no âmbito das Nações Unidas e tem como objetivo principal sintetizar e divulgar o conhecimento mais avançado sobre as alterações climáticas.
É considerado a maior autoridade mundial sobre alterações climáticas e tem sido a principal base para o estabelecimento de políticas climáticas mundiais e nacionais.
