Secretário-geral da ONU afirma estar “na hora” de levar a sério danos das alterações climáticas



O secretário-geral da ONU afirmou ter chegado a “hora de uma discussão séria” sobre as alterações climáticas e de tomar “ações significativas” contra os danos já causados, sobretudo nos países em desenvolvimento.

António Guterres falava na quarta-feira, durante uma reunião com vários líderes de países desenvolvidos e em desenvolvimento, incluindo o Presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sissi, país que vai receber em novembro a conferência da ONU sobre mudanças climáticas COP27.

“Chegou a hora de ter uma discussão séria e ações significativas sobre esta questão”, insistiu Guterres.

“As minhas mensagens foram claras. Sobre a emergência climática: a meta de mais 1,5°C [graus Celsius] está ligada ao ventilador. E a falhar rapidamente”, disse o português.

Numa referência à meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C em comparação com a era pré-industrial, fixada no Acordo de Paris em 2015, Guterres avisou que o mundo está “a caminhar” para um aquecimento de 3°C.

O líder da ONU pediu aos governos que, até à COP27, ataquem frontalmente “quatro problemas urgentes”: fixar metas de redução de emissões mais ambiciosas, ajudar os países mais vulneráveis, adaptar-se e procurar financiamento para os impactos e lidar com “as perdas e danos”.

Este último ponto, um elemento crucial nas negociações sobre o clima, diz respeito aos danos já causados pela multiplicação de eventos climáticos extremos, pelos quais os países em desenvolvimento estão a exigir compensação aos Estados mais ricos.

“Espero que a COP27 no Egito aborde” o tema, acrescentou o secretário-geral da ONU, defendendo tratar-se de uma questão de “justiça climática, solidariedade internacional e criação de confiança”.

Na anterior conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, a COP26 em Glasgow, no final de 2021, os países ricos rejeitaram as exigências dos Estados em desenvolvimento de financiamento específico para compensar as perdas e danos já causados.

Esta semana, um grupo de países em desenvolvimento, reunidos em Dakar, voltou a fazer a mesma reivindicação, pedindo a criação de um “mecanismo de financiamento” para lidar com os danos causados pelas mudanças climáticas.

Outra meta fixada em Paris, em 205, foi a redução das emissões de gases poluentes em 45% até 2030.

Na reunião de quarta-feira, António Guterres exortou os líderes do G20 a acabarem com a dependência dos combustíveis fósseis.

“A indústria de combustíveis fósseis está a matar-nos e os líderes não estão em sintonia com os cidadãos”, alertou o líder da ONU, que pediu “a eliminação do carvão existente e apoio à revolução das energias renováveis”.



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