Sem acordo sobre meta climática para 2040, UE arrisca chegar de “mãos a abanar” à COP30
A divisão europeia da organização ambientalista WWF (WWF-UE) avisa que se os Estados-membros da União Europeia não resolverem os diferendos e chegarem a um acordo sobre a meta para redução de emissões para 2040 o bloco regional corre o risco de ir para a próxima cimeira global do clima (COP30) sem algo de concreto para apresentar.
Esta quinta-feira, os líderes dos países europeus estiveram reunidos em Bruxelas para, uma vez mais, tentarem chegar a um consenso sobre os cortes de emissões de gases com efeito de estufa que devem ser feitos até 2040 para que a UE possa alcançar a neutralidade climática até meados do século. Contudo, uma vez mais, não houve acordo.
No passado mês de julho, a Comissão Europeia, liderada por Ursula von der Leyen, propôs uma redução, face a níveis de 1990, de 90% das emissões da UE até 2040. Essa meta seria o seguimento da que está definida para 2030, uma redução de pelo menos 55% nas emissões de gases com efeito de estufa do bloco.
Em setembro, os ministros do ambiente europeus reuniram-se para tentarem chegar a acordo sobre a meta para 2040. Não conseguiram. O “testemunho” foi passado aos líderes dos Estados-membros. Esta semana, voltou a não haver entendimento e o “testemunho” voltou a ser devolvido aos ministros.
Do encontro desta quinta-feira saiu um texto vago que não apoia inequivocamente a meta de redução proposta da Comissão, mas também não a rejeita.
Uma derradeira tentativa para chegar a um consenso deverá acontecer no início de novembro, escassos dias antes do arranque da COP30 na cidade brasileira de Belém, pelo que todos os olhos estão postos nessa reunião extraordinária de ministros do Ambiente europeus.
Sem uma oposição declarada, a meta de redução de 90% é a única em cima da mesa.
Alex Mason, responsável de Clima e Energia da WWF-UE diz que é tempo de acabar com o jogo da “batata quente” e de ser tomada uma decisão “para que a UE não chegue a Belém de mãos a abanar”.
Contudo, e ecoando uma posição já tomada pela organização ambientalista aquando da apresentação da proposta de meta para 2040 pela Comissão, Mason diz que a redução das emissões não pode estar dependente de compensações noutros países, ou seja, de créditos de carbono internacionais.
“A meta de 90% não foi desafiada pelos líderes da UE, pelo que continua a ser o único número em cima da mesa. A questão é quanto disso é que serão reais cortes nas emissões domésticas, em vez de compensações internacionais. Dado o quão pouco fiáveis se revelaram no passado, a resposta certa deve ser zero. Podem parecer bons no papel, mas a atmosfera não pode ser enganada por contabilidade criativa”, defende.
A decisão que será tomada na reunião ministerial de novembro, diz a WWF-UE, determinará se a UE chegará à COP30 como “um líder climático ou um retardatário”.