Supervulcões: serão ainda um perigo, mesmo milhares de anos após a sua erupção?

Um novo estudo do Centro de Investigação John de Laeter da Universidade Curtin, na Austrália, descobriu que os supervulcões permanecem ativos e continuam a ser um perigo mesmo milhares de anos após uma super erupção. Importa assim compreender o que acontece durante os seus períodos de dormência, antes de novas erupções.

“As super erupções estão entre os eventos mais catastróficos da história da Terra, libertando enormes quantidades de magma quase que instantaneamente. Elas podem impactar o clima global a ponto de colocar a Terra num ‘inverno vulcânico’, que é um período anormalmente frio que pode resultar em fome generalizada e desorganização populacional”, explica Martin Danišík, principal autor do estudo. “Aprender como funcionam os supervulcões é importante para compreender a ameaça futura de uma super erupção inevitável, que acontece uma vez a cada 17.000 anos.”

Para perceber melhor estas conclusões a equipa estudou o destino do magma libertado após a erupção na zona do Lago Toba, que ocorreu há 70 mil anos atrás, na Indonésia. Através de dados geocronológicos, estatísticos de modelação térmica, os cientistas perceberam que o magma continuou a escorrer durante mesmo após 5 a 13 mil anos da ocorrência da super erupção. Foi possível também compreender que existia uma diferença de perto de 13,6 mil anos entre o mineral feldspato mais antigo e o zirconita mais recente. Por sua vez, o magma que solidificou e sobrou foi empurrado para cima, criando um género de “carapaça”.

“Devemos agora considerar que erupções podem ocorrer mesmo se nenhum magma líquido for encontrado sob um vulcão – o conceito do que é ‘erupcionável’ precisa de ser reavaliado” refere o especialista. “Aprender quando e como o magma em erupção se acumula e em que estado o magma se encontra antes e depois dessas erupções é fundamental para a compreensão dos supervulcões”, aponta.

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