Temperatura dos oceanos em 2019 foi a mais alta alguma vez registada

O ano de 2019 quebrou todos os recordes no que diz respeito ao aquecimento global. Os efeitos já se fazem sentir – o aumento do nível do mar e consequente dano nos animais marinhos são alguns deles.

Os gases de efeito estufa emitidos pelo Homem provocaram um longo período de aquecimento do planeta, o que tem aumentado a temperatura dos oceanos, onde cerca de 90% deste excesso de calor acaba armazenado.

Um estudo realizado por uma equipa internacional de 14 cientistas de 11 institutos de todo o mundo sugere que os oceanos obtiveram temperaturas mais elevadas em 2019 do que em qualquer outro momento da história humana registada.

Além disso, as suas análises sugerem que a década passada foi a mais quente já registada em termos de temperatura oceânica, com os últimos cinco anos a bater recordes sucessivos.

A temperatura do oceano em 2019 foi de cerca de 0,075 graus Celsius acima do normal de 1981-2010. Para chegar a esta temperatura, segundo os cientistas, o oceano teria absorvido 228.000.000.000.000.000.000.000.000 Joules de calor.

Os cientistas usaram uma estratégia nova para estas medições, de forma a evitarem disparidades de temperaturas consoante os equipamentos. A temperatura foi medida na superfície, assim como a 2.000 metros de profundidade.

Este estudo também inclui as alterações de temperatura do oceano registadas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) nos Estados Unidos. Os dois conjuntos de dados independentes indicam que os últimos cinco anos foram os mais quentes já registados para as temperaturas globais dos oceanos.

Ao comparar o período de gravação de dados de 1987 a 2019 com o período de 1955 a 1986, os cientistas descobriram que, nas últimas seis décadas, o aquecimento mais recente foi superior em cerca de 450% do aquecimento anterior.

John ABRAHAM, co-autor e professor de engenharia mecânica da Universidade de St. Thomas, nos Estados Unidos, disse: “É fundamental entender a rapidez com que as coisas estão a mudar. A chave para responder a essa pergunta está nos oceanos – é aí que a grande maioria do calor acaba. Se quer entender o aquecimento global, precisa medir o aquecimento do oceano. ”

O estudo também afirmou que os humanos poderiam trabalhar para mudar o seu impacto no clima. No entanto, os oceanos levarão mais tempo para responder aos ambientes atmosféricos e terrestres.

Os autores publicaram os seus resultados a 13 de janeiro na revista Advances in Atmospheric Sciences, com um apelo à ação para que os humanos revertam as alterações climáticas.

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