Twitter passa a banir publicidade com conteúdo cético sobre as alterações climáticas



O Twitter passou a banir “publicidades enganosas” sobre as alterações climáticas, para não prejudicar os esforços na proteção do meio ambiente, divulgou esta sexta-feira a rede social, durante a celebração mundial do Dia da Terra.

Esta decisão surge num momento em que a moderação de conteúdos por parte desta plataforma tem vindo a ser duramente criticada, desde à esquerda e à direita, noticia a agência France-Presse (AFP).

“Acreditamos que o ceticismo climático não deve ser usado para gerar receita no Twitter e que anúncios enganosos não devem distrair conversas importantes sobre a crise climática”, afirmou esta rede social em comunicado.

Assim, anúncios que “contradizem o consenso científico” sobre esta matéria não serão permitidos.

Para arbitrar, o Twitter utilizará dados do IPCC, especialistas sobre a evolução do clima da ONU.

No início de abril, este organismo divulgou novos relatórios que demonstram que os humanos são “inquestionavelmente” responsáveis pelo aquecimento global, que aumentou cerca de 1,1 graus centígrados desde a era pré-industrial.

O planeta deve atingir mais 1,5 ou 1,6 graus centígrados por volta de 2030, dez anos antes do estimado anteriormente, com consequências devastadoras.

As principais plataformas de redes sociais são regularmente acusadas de não combater suficientemente a desinformação, especialmente em tópicos sensíveis, da política ao clima, onde as implicações na vida real podem ser dramáticas.

“Reconhecemos que informações enganosas sobre as mudanças climáticas podem minar os esforços para proteger o planeta”, acrescentou o Twitter.

O YouTube (Google) tomou medidas semelhantes no final de 2021, enquanto o Facebook (Meta) aposta no destaque de factos científicos indiscutíveis, através de uma secção dedicada ao meio ambiente.

Na quinta-feira, o ex-presidente dos EUA, Barack Obama, pediu mais regulamentação nas redes sociais, para que sejam mais responsáveis e transparentes.

Obama sublinhou que a questão no centro da desinformação é menos “o que as pessoas publicam” do que “o conteúdo que essas plataformas promovem”.

O democrata fez um discurso emotivo sobre este tema, numa altura em que Elon Musk, o dono da Tesla, está a tentar comprar o Twitter para torná-lo numa empresa privada (não listada na bolsa de valores).

O homem mais rico do mundo, grande amante de provocações e piadas, acredita que esta rede social restringe a liberdade de expressão.

Elon Musk prometeu uma moderação de conteúdo menos rígida e mais transparente, caso concretize a aquisição do Twitter.



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