“Dá o clique, fala com a APAV”: é este o mote da nova campanha de sensibilização contra a violência no namoro lançada hoje, dia dos Namorados. Pensada para um público jovem, a campanha alerta para o papel que as novas tecnologias cada vez mais desempenham nas relações e, como por vezes, são usadas para intimidar e controlar as vítimas.

Violência verbal, psicológica, física e/ou sexual. São várias as formas que a violência no namoro pode assumir, havendo sempre um componente constante: a necessidade de um dos elementos da relação usar a violência para se colocar numa posição de poder e controlo”, explica a APAV- Associação Portuguesa de Apoio à Vitima.

A campanha desta associação ganha especial importância, quando se sabe pelo Observatório da Violência no Namoro que em apenas dez meses houve 128 denúncias de vitimas ou testemunhas de violência no namoro. Os dados agora conhecidos mostram igualmente que em mais de metade dos casos denunciados a violência física esteve presente.

Feito em contexto universitário, os dados do Estudo Nacional sobre Violência no Namoro hoje revelados vêm confirmar esta realidade: mais de metade dos inquiridos já foi vítima de violência no namoro, e 37% admite mesmo já ter exercido alguma forma de violência para com o seu parceiro.

Os dados mostram também que cada vez mais cedo, situações de violência entram pé entre pé nas relações dos mais jovens. Um estudo levado a cabo pela UMAR- União de Mulheres Alternativa e Resposta, com entrevista a 4600 jovens com idade média de 15 anos, revela que dois terços dos jovens acham normal comportamento violento no namoro.

Esmiuçando os números do estudo, 18% dos inquiridos revela já ter sido vítima de violência psicológica por parte do companheiro ou companheira, 16% de perseguições, 12% de violência através das redes sociais, 11% de situações de controlo, 7% de violência sexual e 6% de violência física. Na violência psicológica, os insultos surgem em destaque com 29%, seguido de humilhar e rebaixar a vítima (15%) e de ameaças (11%).

E é junto dos mais jovens que as novas tecnologias e as redes sociais são usadas como “arma” pelo agressor. Quebrar o direito à privacidade, entrando no Facebook ou outra rede social sem autorização da vítima, é apontado como o comportamento mais frequente (20%). Também a partilha de conteúdos íntimos sem autorização no mundo virtual surge nesta lista. “Uma forma de violência com potencial de dano muito alto”, uma vez que trata de “uma população muito jovem e que estará a iniciar a sua vida íntima e sexual”, alerta a UMAR.

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