2020 está a caminho de ser o ano mais quente da história

O confinamento global causou a redução da emissão de gases com efeito de estufa (GEE), mas são necessárias mudanças a longo prazo, dizem os cientistas. Embora o ‘lockdown’ provocado pelo coronavírus tenha contribuído para uma diminuição da poluição atmosférica, não contribuiu para o arrefecimento do clima.

Este ano está a caminho de se tornar o mais quente desde que há registos, segundo agências e cientistas citados pelo jornal britânico The Guardian. De acordo com as estimativas, 2020 tem entre 50% a 75% de probabilidades de quebrar o recorde de 2016, o ano mais quente desde que se registam as temperaturas.

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), EUA, disse que as tendências estão a acompanhar o recorde de 2016, quando as temperaturas subiram nesse ano devido a um El Niño extraordinariamente intenso, e depois diminuíram. O NOAA afirma ainda, que havia uma probabilidade de 99,9% de 2020 ser um dos cinco anos com as temperaturas mais elevadas já registadas.

Apesar de não ter existido El Niño, Janeiro deste ano foi o mais quente de que há registos. Em Fevereiro, uma base de investigação na Antárctida registou uma temperatura de mais de 20 graus Celsius pela primeira vez. Já este mês em Qaanaaq, no Noroeste da Gronelândia, registou-se um recorde de seis graus Celsius. No primeiro trimestre do ano, as temperaturas no Leste da Europa e na Ásia foram cerca de três graus Celsius mais elevadas do que a sua média.

Karsten Haustein, climatologista da Universidade de Oxford, afirma que o aquecimento global está cerca de 1.2 °C acima dos níveis pré-industriais. Embora a pandemia tenha reduzido, pelo menos temporariamente, a quantidade de novas emissões, Haustein frisa que a acumulação de gases com efeito de estufa na atmosfera continua a ser uma grande preocupação.

“A crise climática continua inabalável”, afirmou Haustein. Segundo esta climatologista, as emissões vão sofrer uma diminuição este ano. No entanto, é pouco provável que se note qualquer desaceleração no aumento dos níveis de GEE na atmosfera.

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