Finalmente foi decifrada a origem da cor clara do pelo dos cães e lobos

Uma equipa internacional de cientistas do Instituto de Genética da Universidade de Bern, na Suiça, das Universidades de Stanford e da Califórnia em Davis e do Instituto de Biotecnologia HudsonAlpha, nos Estados Unidos, resolveu por fim o enigma dos padrões de cor do pelo dos cães.

Há décadas que a comunidade científica se debatia com a origem da cor clara no pelo dos cães e dos lobos. Agora, o estudo conclui que estes padrões têm controlo genético, e que a variante responsável teve origem há mais de dois milhões de anos num parente já extinto do lobo moderno. Além disso, descobriram que a variante hiperativa desta cor compartilhava mais semelhanças com espécies como o chacal dourado (Canis aureus) e o coiote (Canis latrans), do que com o lobo cinzento europeu (Canis lupus lupus).

Como os especialistas explicam, existem dois tipos de pigmento: o preto, conhecido por eumelanina, e o amarelo, conhecido por feomelanina. A junção dos dois dá origem a padrões de cores diferentes. Existem duas variantes promotoras; “uma das variantes transmite a produção de quantidades normais de proteína sinalizadora agouti. A outra variante tem maior atividade e provoca a produção de uma quantidade maior de proteína sinalizadora cutia“, explica em comunicado a Universidade de Bern. Ao analisar individualmente estas variantes, o grupo descobriu que existem cinco combinações diferentes de padrões de cores de pelo dos cães. “Os livros precisam de ser reescritos porque existem cinco em vez de quatro padrões diferentes em cães, como anteriormente aceite”, afirma Tosso Leeb, um dos autores do estudo.

Como tal, uma pequena parte de ADN da espécie extinta é hoje encontrada nos cães de pelo amarelo e no lobo do ártico (canis lupus arctos). “Isto é uma reminiscência da descoberta espetacular de que os humanos modernos carregam uma pequena proporção de ADN nos seus genomas dos agora extintos neandertais”, explica o investigador.

 

Bannasch, D.L., Kaelin, C.B., Letko, A. et al. Dog colour patterns explained by modular promoters of ancient canid origin. Nat Ecol Evol (2021). https://doi.org/10.1038/s41559-021-01524-x
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