Consumo mundial de carne mais do que duplicou nos últimos 20 anos

O consumo de carne continua a ser habitual em todo o mundo, e nos últimos 20 anos, este número mais do que duplicou. Em 2018, foram consumidas a nível mundial 320 milhões de toneladas de carne e, caso o setor continue a crescer, este número deverá chegar aos 360 milhões de toneladas de carne produzida e consumida em 2030. Nos países desenvolvidos consome-se anualmente mais de 121 mil toneladas de carne, mas nos países em desenvolvimento, o consumo atinge as 203 mil toneladas de carne.

Estas e outras informações foram divulgadas recentemente no novo relatório “Meat Atlas 2021” da Fundação alemã Heinrich-Böll-Stiftung, da Friends of the Earth Europe e da BUND – Friends of the Earth Germany.

Como os autores citam, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) a pecuária foi responsável por quase 15% das emissões globais de gases com efeito estufa (GEE) em 2013 – quer pela fermentação entérica, que origina as emissões de metano, quer pelo cultivo de ração animal, quer pelos dejetos dos animais.

Umas das cinco maiores firmas da indústria da carne e do leite – JBS, Tyson, Cargill, Dairy Farmers of America e Fonterra -, produzem mais emissões combinadas por ano (578 megatoneladas) do que as grandes empresas petrolíferas como a Shell, a Exxon ou a BP. Já o top 20 de empresas de criação de gado e de produção de leite, são responsáveis ​​por mais emissões de gases de efeito estufa (GEE) do que a Alemanha (902 megatoneladas), o Reino Unido (464 megatoneladas) ou a França (507 megatoneladas).

E as ameaças não se restringem apenas às emissões. Cerca de 70% de todas as terras agrícolas do mundo estão ocupadas pelo gado, e perto 40% tem como fim utilitário a produção de ração animal. Isto está a levar à degradação dos solos, à desflorestação e à perda da biodiversidade. Como refere o documento, para garantir um futuro em que o clima e a biodiversidade estão protegidos, é necessário reduzir para metade o consumo de carne.

De acordo com os dados do relatório, em 2020 Portugal tinha cerca de 1.7 milhões de bovinos, 2.3 milhões de porcos e 2.2 milhões de ovelhas. Uma grande diferença face ao país vizinho Espanha, que tem o maior número de produção de porcos (32.8 milhões) e de ovelhas (15.4 milhões).

Esta análise explica o facto de, ao se comparar os hábitos alimentares dos cidadãos da União Europeia (UE), Espanha, Portugal e a Alemanha serem os países onde se come mais carne. Já a Eslováquia e a Bulgária, são os países onde se come menos. Os dados indicam também que na maioria dos países da Europa, o consumo de carne suína e bovina está a diminuir, porém, o de carne de aves continue a aumentar.

Em entrevista, quando questionados se já tinham reduzido o seu consumo de carne vermelha para combater as alterações climáticas, 65% dos europeus disse que já o fez e 79% diz que ainda o pretende fazer. De destacar a China, onde 78% dos entrevistados afirmou já ter reduzido e 92% admitiu que o pretende fazer.

Por outro lado, o bem-estar animal na produção animal é também um tema em foco. 82% dos cidadãos da UE acham que devem ser tomadas mais medidas para proteger os animais, um sentimento amplamente partilhado por toda a Europa – desde uma maioria considerável de 58% dos entrevistados do Luxemburgo, a uma percentagem de 94% – quase unânime – em Portugal.

Pode ler o relatório Meat Atlas 2021 completo, aqui.

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