Nestlé Portugal está a usar microalgas para melhorar a qualidade do ar na sede

A sede da Nestlé Portugal, em Linda-a-Velha, está a desenvolver um novo projeto piloto: a instalação de biorreatores com microcultura de algas para melhorar a qualidade do ar. A ideia é que esta tecnologia capture dióxido de carbono (CO2) e o transforme em oxigénio.

O sistema, denominado de PhotoSynthetica, vai absorver cerca de 7,3 quilogramas de dióxido de carbono no período de um ano e produzir cerca de 5,5 quilogramas de oxigénio, possibilitando ainda a produção de 30 quilogramas de biomassa.

“Tendo em conta a enorme capacidade das algas em absorver dióxido de carbono, o desafio foi pensar na forma de trazer este potencial para a Nestlé e desenvolvê-lo, de modo a contribuir para apoiar os nossos objetivos de atingir a neutralidade carbónica até 2050. Como resultado, este projeto traz-nos uma capacidade de absorção de dióxido de carbono equivalente a quatro árvores de grande porte”, afirma Hugo Silva, Brand Manager da Nestlé Portugal e idea owner do projeto.

A existência deste conjunto de biorreatores no edifício visa ainda aumentar a eficiência energética da sede, uma vez que a estrutura será instalada na fachada de vidro, o que permitirá criar uma barreira contra o sol e reduzir o aquecimento do edifício. Este será o primeiro edifício do Grupo Nestlé a nível mundial a testar o sistema, que poderá posteriormente vir a ser adotado noutros edifícios da empresa.

Cada biorreator de vidro é um aparelho especial dedicado ao cultivo de organismos sob condições controladas, que está instalado numa estrutura de aço que suporta doze tubos em formato grande. Alimentado por energia solar, os biorreatores colhem o potencial fotossintético das colónias de microalgas vivas, que estão dentro dos “tubos de ensaio”. Através de sistemas especiais, as culturas contidas nos “tubos de ensaio” são borbulhadas para se manterem em constante movimento e, enquanto as bolhas de ar sobem naturalmente, através do meio aquoso dentro dos tubos, entram em contato com as células das algas. Na sequência deste processo, as moléculas de CO2 e os poluentes do ar são capturados, armazenados pelas algas e transformados em biomassa.

Posteriormente, as microalgas serão também utilizadas para testar a viabilidade de produzir embalagens biodegradáveis (impressas em 3D com filamentos de algas), podendo ainda ser utilizadas como super-alimento ou fertilizantes.

O projeto inovador foi desenvolvido pela ecoLogicStudio, uma empresa global de inovação em design que conta com os parceiros académicos Synthetic Landscape Lab da Innsbruck University e o Urban Morphogenesis Lab do Bartlett University College London.



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