54 milhões de toneladas de equipamentos electrónicos foram deitados fora o ano passado

No ano passado, foram deitadas fora 53,6 milhões de toneladas de lixo eletrónico, revelou um novo relatório da ONU.

É um número difícil de imaginar, mas, para ser mais simples, podemos indicar que é o equivalente a 13 mil elefantes-africanos, ou, se esses resíduos fossem colocados em linha, teríamos cerca de 125 km de lixo.

Os dados são do Global E-Waste Monitor, que divulga relatórios sobre o estado do lixo eletrónico em todo o mundo. A sua terceira edição, publicada este mês, indica que o lixo eletrónico aumentou 21% em relação a cinco anos atrás.

Este facto não é verdadeiramente surpreendente, visto que cada vez mais estamos dependentes da tecnologia, e o tempo útil de vida desta é cada vez menor.
O que o relatório também mostra é que as estratégias nacionais de coleta e reciclagem não estão nem perto das taxas de consumo correspondentes.

O lixo eletrónico (ou resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos) refere-se a muitas formas de itens eletrónicos e de energia elétrica, de smartphones, laptops e equipamentos de escritório a equipamentos de cozinha, ar-condicionados, ferramentas, brinquedos, instrumentos musicais, eletrodomésticos e outros produtos que dependem de baterias ou cabos elétricos.

Segundo o Guardian, este lixo electrónico contém uma grande variedade de metais preciosos, mas raramente são recuperados ou reciclados.

Ouro, prata, platina, ferro e cobre são alguns dos metais que poderiam ser extraídos do lixo electrónico, e que teriam um valor aproximado de 57 mil milhões de dólares, indica o mesmo jornal, mas a maioria é queimada ou destruída em vez de ser reciclada. Apenas cerca de 4 mil milhões de dólares são recuperados.

Apenas 17% dos resíduos recolhidos são reciclados, e muitas vezes as condições da reciclagem é prejudicial para o planeta. Por exemplo, queimar placas de circuitos integrados para recuperar cobre liberta metais altamente tóxicos como o mercúrio e o chumbo.

O relatório ainda explica que melhores estratégias de reciclagem podem reduzir o impacto da mineração, que afeta significativamente o meio ambiente e os seres humanos.

“Ao melhorar as práticas de coleta e reciclagem de lixo eletrónico em todo o mundo, uma quantidade considerável de matérias-primas secundárias – preciosas, críticas e não críticas – pode ser disponibilizada prontamente para reentrar no processo de fabricação e reduzir a extração contínua de novos materiais. ”

O relatório constatou que a Ásia possui a maior quantidade de resíduos em geral, gerando 24,9 milhões de toneladas, seguida pela América do Norte e do Sul com 13,1 Mt, Europa com 12 Mt, África com 2,9 Mt e Oceania com 0,7 Mt.

Os números per capita mostram que as pessoas do norte da Europa são os que mais desperdiçam em geral, com cada pessoa a descartar cerca de 22,4 kg de lixo eletrónico anualmente. O que se traduz no dobro da quantidade produzida pelos europeus do leste.

Os australianos e os neozelandeses deitam fora, em média, 21,3 kg por pessoa a cada ano, seguidos pelos Estados Unidos e Canadá com 20,9 kg. Os asiáticos apenas 5,6 kg e os africanos 2,5 kg.

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