97,3% da população mundial está exposta à poluição por material particulado



O mais recente relatório do Air Quality Life Index (AQLI) revela que, 97,3% da população mundial está exposta à poluição do ar por material particulado (PM2.5), e que esta situação esta situação reduziu 2.2 anos a esperança de vida global. Estes dados vão ao encontro da diretriz estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) relativo ao nível seguro de exposição a PM2.5, que é de 5 µg/m³.

Como exalta o documento, embora os setores tenham inicialmente abrandado devido à pandemia da COVID-19, a poluição por PM25 média anual global manteve-se quase inalterada, face aos níveis de 2019. A redução na esperança média de vida é equivalente ao impacto do tabagismo ou o triplo do uso do álcool, neste indicador.

Na Europa e nos Estados Unidos, embora as políticas implementadas tenham reduzido este tipo de poluição, sabe-se que 95,5% e 92,8%, respetivamente, das pessoas vivem em áreas poluídas – ou seja, com níveis acima do recomendado pela OMS. Se os níveis baixassem para uma percentagem considerada segura, poderiam salvar-se 68 milhões de anos de vida nos Estados Unidos e 527 milhões de anos de vida na Europa. A parte leste europeia é onde se concentram grandes níveis de poluição, em países como a Moldávia, a Polónia, a Eslováquia e a Hungria. Cidades como Milão, em Itália, e Bursa, na Turquia, são ainda destacadas nesta questão.

No Sul da Ásia é onde se regista o maior impacto mortal devido à poluição do ar. Nesta região, os dados apontam para a perda de 5 anos na esperança média de vida. A Índia é um dos grandes responsáveis, já que, desde 2013, cerca de 44% do aumento da poluição mundial tem origem no país.

No caso da China, os autores referem que desde 2013 o país tem vindo a reduzir os níveis da poluição através de várias medidas – já reduziu perto de 40%. Esta mudança permitiu que o país ganhasse 2 anos de esperança média de vida, no entanto, é preciso continuar a trabalhar para que um dia seja possível atingir as diretrizes da OMS.

“Ao atualizar o AQLI com a nova diretriz da OMS com base na ciência mais recente, temos uma melhor compreensão do verdadeiro custo que estamos a pagar por respirarmos ar poluído. Agora que a nossa compreensão do impacto da poluição na saúde humana melhorou, há um argumento mais forte para os governos a priorizarem como uma questão política urgente”, afirma Christa Hasenkopf, diretora do AQLI.



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