COP15: Soluções ‘baseadas na Natureza’ podem criar 20 milhões de novos empregos



A 15.ª cimeira global da biodiversidade já arrancou em Montreal, no Canadá, onde se espera que a comunidade adote o Quadro Global para a Biodiversidade pós-2020, um instrumento amplamente apontado como fundamental para mudar a forma como as sociedades humanas veem e lidam com o mundo natural, e para travar e reverter a perda de biodiversidade.

No âmbito dessa reunião-magna, a agência ambiental das Nações Unidas (UNEP) divulgou, na COP15, um relatório no qual avança que vinte milhões de novos empregos podem ser criados com o investimento em soluções ‘baseadas na Natureza’ para combater crises como as alterações climáticas e a insegurança alimentar.

Redigido pelo UNEP, pela Organização Internacional do Trabalho e pela União Internacional para a Conservação da Natureza, o relatório intitulado ‘Trabalho Decente nas Soluções Baseadas na Natureza’ aponta que “o investimento em políticas de apoio a Soluções Baseadas na Natureza iria gerar significativas oportunidades de emprego, em particular nas áreas rurais”.

Mas o trio de relatores salienta que é essencial uma “transição justa”, para que as economias possam estar em maior harmonia com a Natureza, ao mesmo tempo que são justas e inclusivas, “criando importunidades de emprego significativas e não deixando ninguém para trás”.

O UNEP define soluções ‘baseadas na Natureza’, como “ações que protegem, conservam, restauram, usam e gerem de forma sustentável os recursos naturais ou modificados nos ecossistemas terrestres, de água doce, costeiros e marinhos”, que também procuram dar respostas eficazes aos “desafios sociais, económicos e ambientais”.

O relatório indica que atualmente cerca de 75 milhões de postos de trabalho foram criados no âmbito das soluções ‘baseadas na Natureza’, sendo que 96% dessas pessoas vivem em países menos desenvolvidos na Ásia e na região do Pacífico, embora a maior parte do investimento nessas soluções seja feito nos países mais ricos.

Apesar das estimativas apresentadas, as organizações assinalam que os números não preveem as perdas de emprego e os deslocamentos que podem ocorrer com a implementação das soluções ‘baseadas na Natureza”.

Nos países mais pobres, quase todos os empregos gerados por essas soluções concentram-se nos setores da agricultura e da silvicultura, sendo que nos países mais ricos essa porção cai abaixo dos 50%.

“Nos países industrializados, onde a produtividade agrícola é alta, o investimento em [soluções ‘baseadas na Natureza’] está concentrado no restauro de ecossistemas e na gestão de recursos naturais”, explica o relatório.

As três organizações pedem que os Estados, por exemplo, implementem medidas de “transição justa”, que permitam o desenvolvimento de empresas e cooperativas que trabalhem em soluções ‘baseadas na Natureza’, a aquisição de competências, a requalificação profissional, e a integração dessas soluções nos currículos de universidades.

Vic van Vuuren, da Organização Internacional do Trabalho, afirma que ao mesmo tempo que se reforça o investimento no desenvolvimento e disseminação de soluções ‘baseadas na Natureza’ é essencial garantir que problemas como salários baixos e condições de precariedade sejam também resolvidos, pois só assim se conseguirá uma “transição justa”.

Por sua vez, Susan Gardner, dirigente do departamento de ecossistemas do UNEP, salienta que as soluções ‘baseadas na Natureza’ são “uma parte crucial da equação da mitigação” das alterações climáticas.

Pela parte da União Internacional para a Conservação da Natureza, Stewart Maginnis, diretor-geral adjunto, destaca que, quando são implementadas de forma adequada, as soluções ‘baseadas na Natureza’ podem ser fortes aliados contra as crises climática e de perda de biodiversidade, ao mesmo tempo que “fornecem benefícios importantes para o bem-estar e subsistência humanos, incluindo empregos bons e verdes”.

Por isso, essas soluções são “uma ferramenta essencial” para a implementação do Quadro Global para a Biodiversidade pós-2020, conclui.





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