Conservação deve focar-se também em proteger processos naturais e não apenas espécies concretas

Cientistas dizem que, no que toca à conservação da biodiversidade, o foco não pode cair exclusivamente sobre esta ou aquela espécie de animal, mas deve também proteger processos naturais.

Redação

Cientistas dizem que, no que toca à conservação da biodiversidade, o foco não pode cair exclusivamente sobre esta ou aquela espécie de animal, mas deve também proteger processos naturais.

Num artigo publicado recentemente na revista ‘PNAS’, cinco investigadores e especialistas do Reino Unido e dos Estados Unidos da América, dizem que as atuais políticas de conservação tendem a focar-se em “animais bandeira” e que está a ser dada prioridade “a espécies raras e bem-conhecidas, tais como os pandas e os ursos-polares”.

A equipa recorda que há já muitos anos que os especialistas têm vindo a apelar a esforços de conservação focados em processos ecológicos, como a diversidade genética, o movimento das espécies e as interações entre elas, mas lamentam que essa abordagem não tem tido o impulso necessário, especialmente através das políticas de conservação.

“Para realmente proteger o mundo natural, a conservação tem de acontecer ao nível de paisagens inteiras, não de espécies únicas, para manter as redes complexas que permitem que a biodiversidade prospere”, explica, em comunicado, Orly Razgour, investigadora da Universidade de Exeter e coautora do estudo.

Para a ecóloga, “os processos ecológicos estão na base da estabilidade dos ecossistemas, tornando-os resilientes e adaptáveis às mudanças ambientais”. Se não se proteger esses processos, avisa, “os ecossistemas podem tornar-se cada vez mais vulneráveis às rápidas alterações que estão a acontecer agora por todo o mundo”.

A equipa diz que é preciso aumentar a conectividade entre paisagens naturais, apoiar ações de rewilding e proteger grupos de animais que podem desempenhar papéis centrais nos ecossistemas.

“É claro que podemos continuar a proteger espécies amadas, mas precisamos de uma estratégia unificada que olhe para o panorama geral”, argumenta Joseph Tobias, do Imperial College London e primeiro autor do artigo.

“Ao fazer isso”, sustenta, “podemos proteger os processos naturais dos quais todos os seres vivos – incluindo os humanos – dependem”.

Estes cientistas acreditam que este foco nos processos é uma abordagem “mudança transformativa” que ajudará a reforçar a ciência e as políticas e conservação e a mover o mundo em direção ao cumprimento das metas de proteção da biodiversidade plasmadas no Acordo de Kunming-Montreal, que prevê a proteção de 30% do ecossistemas de todo o mundo até ao final da década.

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