Um grupo de cientistas do Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR) descobriu que um extrato da microalga marinha Skeletonema costatum pode ajudar a combater a osteoporose, uma doença crónica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
Uma vez que essa alga está aprovada para consumo humano na Europa, a equipa acredita que poderão ser abertas novas portas para o desenvolvimento de suplementos alimentares naturais que tenham reais impactos na saúde óssea humana. Esses suplementos naturais seriam uma possível alternativa as atuais terapias farmacológicas.
A descoberta foi divulgada recentemente num artigo publicado na revista ‘Frontiers in Immunology’ e o estudo recorreu a células em cultivo e modelos animais, incluindo o peixe-zebra (Danio rerio) e o peixe medaka (Oryzias latipes), que, explicam os investigadores, são “dois organismos amplamente usados em investigação biomédica por partilharem genes, associados a muitas doenças, semelhantes aos do ser humano”.
Os tratamentos atuais para a osteoporose ou bloqueiam a degradação óssea, ou estimulam a formação do osso. O grupo salienta que como as células ósseas comunicam entre si, ao bloquear as células que degradam o osso, interrompem também a comunicação entre as células e, assim, as células que os constroem também ficam mais lentas.
Paulo Gavaia, coautor do artigo, diz, citado em nota, que “ao agirem unilateralmente, esses medicamentos são eficazes durante um período limitado”.
“Depois disso”, continua, “muitos começam a ter efeitos negativos e os tratamentos têm de ser interrompidos, retomados mais tarde ou substituídos, o que mostra que ainda não temos uma solução verdadeiramente sustentável”.
O grupo de investigadores isolou, então, um extrato rico em compostos bioativos da microalga e avaliou os seus efeitos na regeneração óssea em peixe-zebra. Além disso, testou um modelo genético de osteoporose induzida em peixe medaka e examinou uma linha celular de macrófagos de ratinhos, células do sistema imunitário que dão origem às células que degradam o osso, chamadas de osteoclastos.
Depois de tudo isso, depararam-se com o que descrevem como resultados “notáveis” que relevaram algo “surpreendente”. O extrato da microalga permitiu reequilibrar o metabolismo ósseo sem interromper a comunicação saudável entre as células ósseas, demonstrando, destacam os cientistas, uma proteção contra a perda óssea associada à osteoporose e uma redução da ativação excessiva das células imunitárias.
“Os nossos resultados abrem a porta a estratégias terapêuticas integrativas”, diz Alessio Carletti, primeiro autor do estudo. “Em vez de suprimir o metabolismo ósseo, ajudamos o corpo a recuperar o equilíbrio, algo raro nos tratamentos convencionais.”
Para a equipa, esta investigação é mais uma prova de que o oceano pode ser uma fonte valiosa de compostos bioativos com impacto na saúde humana. Ainda há caminho a percorrer, com os cientistas a dizerem que é preciso isolar e caracterizar os compostos ativos, otimizar dosagens e testar os mecanismos moleculares.
“Mas uma porta já foi aberta”, asseguram.









