Cana-de-açúcar apontada como solução-chave para combustível de aviação sustentável



Um investigador australiano defende que a cana-de-açúcar pode desempenhar um papel decisivo no futuro do combustível de aviação sustentável, ao permitir substituir o carbono de origem fóssil sem comprometer a produção alimentar nem a biodiversidade.

A posição é do professor emérito Robert Henry, da Universidade de Queensland, que integra o ARC Research Hub for Engineering Plants to Replace Fossil Carbon, um centro de investigação que reúne universidades e empresas internacionais com o objetivo de desenvolver combustíveis renováveis viáveis à escala da indústria da aviação.

Segundo o investigador, as plantas são atualmente a melhor fonte disponível de carbono renovável e, entre todas as opções analisadas, a cana-de-açúcar destaca-se pela sua produtividade e capacidade de produção em grande escala. “É a única cultura agrícola que já é produzida nos volumes necessários para responder às exigências deste sector”, sublinha.

Outras alternativas têm sido estudadas, mas apresentam limitações significativas. As algas, por exemplo, são frequentemente apontadas como promissoras, mas os custos elevados tornam-nas pouco competitivas sem a existência de subprodutos de alto valor. Já a canola, usada nalguns países para a produção de biocombustíveis, levanta problemas de segurança alimentar e, sobretudo, de escala: os rendimentos por hectare são baixos e a área necessária para substituir o combustível de aviação ultrapassaria a dimensão da Austrália.

A utilização do solo é, por isso, um fator crítico. A cana-de-açúcar combina elevada produtividade com uma ocupação relativamente reduzida de território, o que a torna particularmente atrativa. A investigação em curso centra-se no melhoramento da biomassa das plantas, de modo a aumentar a proporção que pode ser convertida em combustível sem reduzir as colheitas.

Para acelerar este processo, os cientistas recorrem a uma estratégia faseada: começam por testar alterações genéticas em culturas mais simples, como o arroz, passando depois para o sorgo — um parente próximo da cana-de-açúcar — antes de aplicar as soluções mais promissoras à própria cana, cuja genética é mais complexa.

A Austrália, e em especial o estado de Queensland, surge como um território privilegiado para liderar esta transição. O país dispõe de uma indústria canavieira consolidada, forte capacidade científica e parcerias internacionais. Além disso, o elevado número de viagens aéreas cria uma forte procura interna por combustíveis sustentáveis.

“O desafio é complexo, mas o potencial é enorme”, afirma Robert Henry. Se a produção comercial de combustível de aviação sustentável se tornar uma realidade — algo que os investigadores acreditam estar ao alcance —, a adoção internacional poderá ser rápida. Nesse cenário, a cana-de-açúcar poderá colocar a Austrália na linha da frente da transição energética no sector da aviação.






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