Alqueva com central a turbinar e aumento das descargas de Pedrógão para Rio Guadiana

A Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), sediada em Beja, revelou que esta gestão do armazenamento da albufeira, com a turbinação através da central, faz parte de uma operação integrada que envolve o descarregamento de caudais na Barragem de Pedrógão, face “à persistência das afluências elevadas”.

Green Savers com Lusa

Três grupos da central hidroelétrica de Alqueva estão em funcionamento, com um caudal instantâneo total turbinado de 600 metros cúbicos por segundo, contribuindo para gerir o armazenamento na albufeira, que está a 40 centímetros da cota máxima.

Em comunicado divulgado hoje, a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), sediada em Beja, revelou que esta gestão do armazenamento da albufeira, com a turbinação através da central, faz parte de uma operação integrada que envolve o descarregamento de caudais na Barragem de Pedrógão, face “à persistência das afluências elevadas”.

Numa nota à imprensa anterior, há precisamente uma semana, no dia 21, a EDIA anunciou que a Barragem do Pedrógão, no concelho de Vidigueira, distrito de Beja, integrada no sistema de Alqueva, tinha começado nesse dia a efetuar descargas para o Rio Guadiana, numa simulação de caudal de cheia.

Na altura, a gestora do Alqueva explicou que a simulação de caudal de cheia a jusante da Barragem de Pedrógão está enquadrada no regime de caudais ecológicos definido no contrato de concessão celebrado entre esta entidade e o Estado português.

“A realização de descargas nesta altura permite o aproveitamento das afluências naturais, reduzindo o volume que terá de ser descarregado em Pedrógão para assegurar caudais de cheia da ordem dos 300 metros cúbicos por segundo no Rio Guadiana”, precisou, então.

No comunicado de hoje, a EDIA realçou que, “devido à manutenção de elevados caudais afluentes ao Sistema Alqueva-Pedrógão”, não só oriundos da água turbinada na albufeira-mãe, mas também do Rio Ardila, prosseguem as descargas da Barragem de Pedrógão, cujo caudal vai até ser intensificado.

“A albufeira de Pedrógão encontra-se, neste momento, a cerca de 1,43 metros acima do Nível de Pleno Armazenamento, situação que justifica a continuidade das operações de descarga”, pode ler-se.

E, em paralelo, como os três grupos da central hidroelétrica de Alqueva estão com um caudal instantâneo total turbinado da ordem dos 600 metros cúbicos por segundo, a previsão é a de que o descarregamento de caudais na Barragem de Pedrógão aumente gradualmente “para valores da ordem dos 1.500 metros cúbicos por segundo, em função da evolução hidrológica”.

A EDIA alertou que “as descargas em curso irão provocar a subida dos níveis do Rio Guadiana a jusante da barragem de Pedrógão”.

Fonte da EDIA indicou à Lusa que a Barragem do Alqueva, situada entre os concelhos de Portel (distrito de Évora) e Moura (distrito de Beja), está atualmente “na cota 151,6, pelo que faltam 40 centímetros para atingir a cota máxima de 152”, armazenando “um total de 3.978 hectómetros cúbicos de água (perto dos 96% do volume total)”.

A empresa solicitou “a colaboração de todas as entidades e das populações ribeirinhas, no sentido de garantir a salvaguarda de pessoas e bens”, recomendando ainda “a adoção de comportamentos de precaução nas zonas potencialmente afetadas”.

Garantindo estar a acompanhar a situação em permanência, a EDIA explicou que “o tempo de trânsito dos caudais descarregados pela Barragem de Pedrógão é de cerca de 18 horas até ao Pulo do Lobo, podendo o aumento dos caudais na região de Mértola ocorrer apenas após um período superior a 18 horas, em função das condições de escoamento”.

Contactado pela Lusa, Mário Tomé, presidente da Câmara de Mértola, distrito de Beja, disse que o município acompanha “com tranquilidade” a libertação de caudais no Guadiana, rio que passa no concelho e ‘banha’ a vila.

“Já estamos habituados que o rio suba alguns metros com as marés e também a estas simulações de libertação de caudais. Essencialmente, vai provocar a subidas da água e afetar a frente ribeirinha, que recuperámos recentemente e vai ficar submersa, mas estamos a fazer essa monitorização com o máximo cuidado junto das autoridades competentes e articulados com os bombeiros, juntas de freguesia e pescadores que têm barcos”, disse.

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