DECO PROteste alerta para proteção insuficiente das habitações face a catástrofes naturais

Sismo sentido em Lisboa reforça urgência de fundo nacional para risco sísmico.

Redação

Na sequência do sismo de magnitude 4,1 na escala de Richter registado hoje às 12h14, com epicentro a cerca de quatro quilómetros de Alenquer, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a DECO PROteste volta a alertar para a fragilidade da proteção das habitações em Portugal face ao risco sísmico.

Em comunicado sublinha que “apesar de este abalo não ter provocado, até ao momento, danos significativos reportados, o episódio recorda que Portugal é um país com histórico sísmico relevante e que um evento de maior magnitude poderá ter consequências humanas e económicas muito graves”.

A DECO PROteste considera que a cobertura do risco sísmico em Portugal “continua a ser manifestamente insuficiente”. De acordo com dados da ASF, apenas 19% das habitações portuguesas contam com cobertura para fenómenos sísmicos, o que significa que, numa situação extrema, oito em cada dez famílias poderiam perder a casa. A adesão a esta cobertura adicional nos seguros multirriscos-habitação é reduzida, sobretudo devido ao custo acrescido do prémio, o que deixa uma parte significativa do parque habitacional exposto a perdas avultadas.

A associação recorda que, por lei, apenas a cobertura de incêndio é obrigatória nos edifícios em propriedade horizontal. A cobertura de fenómenos sísmicos é facultativa e, em muitos casos, excluída ou contratada com capitais e limites reduzidos. Assim, mesmo consumidores que possuem seguro multirriscos podem não estar protegidos contra danos causados por um sismo.

Quanto aos riscos climáticos cada vez mais frequentes e intensos, como tempestades e inundações, a DECO PROteste considera que a contratação de um seguro adequado e o conhecimento das respetivas condições são ferramentas essenciais para a proteção financeira das famílias.

É por isso que a organização tem defendido, há vários anos, a criação de um fundo nacional para catástrofes naturais, incluindo o risco sísmico, que permita partilhar o risco entre os vários agentes, alargando a base de proteção e garantindo maior acessibilidade financeira às famílias. Um mecanismo deste tipo, com participação do Estado e do setor segurador, permitiria reforçar a resiliência coletiva e assegurar uma resposta mais célere e estruturada em caso de catástrofe de grande dimensão.

Num contexto em que os consumidores têm sido confrontados não apenas com o risco sísmico, mas também com fenómenos meteorológicos extremos cada vez mais frequentes, como tempestades e inundações recentes, a necessidade de uma solução estrutural “torna-se ainda mais evidente”. A resposta às intempéries “tem demonstrado que a proteção individual, baseada apenas na contratação voluntária de seguros, não é suficiente para garantir cobertura abrangente da população”.

A DECO PROteste recomenda que os consumidores revejam as suas apólices de seguro multirriscos-habitação e confirmem se dispõem de cobertura de fenómenos sísmicos. Sugere ainda que verifiquem se eventuais danos provocados por tempestades, inundações e aluimento de terras estão cobertos e que confirmem os respetivos limites, franquias e exclusões. Em caso de danos provocados por sismo ou intempéries, é fundamental participar o sinistro no prazo máximo fixado pela seguradora (geralmente oito dias) e reunir provas dos prejuízos antes de proceder a limpezas ou reparações.

O abalo de hoje deve servir de alerta. A DECO PROteste considera que “este é o momento para retomar, com urgência, o debate sobre a criação de um fundo nacional para catástrofes naturais, incluindo o risco sísmico, e avançar com soluções concretas que garantam maior segurança económica às famílias portuguesas”.

Em caso de dúvida, os consumidores podem contactar a linha de apoio da DECO PROteste através do número 211 215 656, disponível nos dias úteis, das 9h às 18h.

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