Dinossauro australiano gigante tinha “nariz apurado” e dieta seletiva, revela estudo

A investigação, publicada na revista científica PeerJ e conduzida por uma equipa internacional de especialistas, analisou novos fósseis do crânio deste grande dinossauro ornitópode, trazendo dados que desafiam ideias anteriores sobre a espécie.

Redação

Um novo estudo indica que o dinossauro herbívoro australiano Muttaburrasaurus langdoni, que viveu há cerca de 96 milhões de anos, poderá ter sido um animal exigente na alimentação, com um olfato particularmente desenvolvido para escolher o que comia.

A investigação, publicada na revista científica PeerJ e conduzida por uma equipa internacional de especialistas, analisou novos fósseis do crânio deste grande dinossauro ornitópode, trazendo dados que desafiam ideias anteriores sobre a espécie.

Uma das descobertas mais inesperadas foi a presença de dentes na extremidade do focinho. Até agora, pensava-se que esta zona funcionava como um bico desprovido de dentes, à semelhança de outros dinossauros herbívoros conhecidos. No entanto, esta característica sugere que o Muttaburrasaurus poderia selecionar com maior precisão folhas, sementes e até pequenos invertebrados.

Esta adaptação indica também que a espécie poderá ter evoluído a partir de formas mais antigas de dinossauros ornitópodes que ainda possuíam bicos dentados, ajudando a posicioná-la de forma mais precisa na árvore evolutiva dos dinossauros.

A análise do crânio revelou ainda pistas sobre o comportamento do animal. O ouvido interno apresenta semelhanças com o de dinossauros bípedes, sugerindo que o Muttaburrasaurus poderia deslocar-se sobre duas patas quando necessário, recorrendo às patas dianteiras para apoio enquanto se alimentava.

Outro aspeto distintivo é a forma arredondada do nariz, composta por ossos únicos e dotada de cavidades de ar complexas. Estas estruturas poderão ter contribuído para um olfato muito apurado — possivelmente entre os mais desenvolvidos entre os dinossauros — útil para encontrar alimento, detetar predadores ou orientar-se no ambiente.

O estudo indica ainda que este dinossauro vivia em regiões próximas do antigo mar interior de Eromanga, que cobriu grande parte da Austrália central durante o período Cretácico. Há indícios de que poderia ter desenvolvido glândulas nasais especializadas para eliminar o excesso de sal, o que sugere uma dieta que incluía vegetação costeira e possivelmente pequenos organismos marinhos.

Quanto à alimentação, a estrutura dos dentes mostra que triturava os alimentos, de forma semelhante ao que fazem hoje animais como cavalos, vacas ou cangurus.

Apesar das novas descobertas, os investigadores sublinham que ainda não é possível determinar com certeza se o Muttaburrasaurus vivia em grupo, como acontece com outros grandes dinossauros herbívoros.

O estudo reforça a importância das novas tecnologias de análise, como a tomografia computorizada, que permitem obter reconstruções detalhadas e aprofundar o conhecimento sobre a vida dos dinossauros.

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