A intervenção humana mudou por completo a Ria de Aveiro

O investigador da Universidade de Aveiro, João Dias, não tem dúvidas que a atividade do homem modificou por completo a Ria de Aveiro, tornando-a mais salgada, com correntes mais fortes e terrenos agrícolas inundados.

Ciência com Impacto

Por causa de todas estas transformações, a Ria de Aveiro modificou-se enormemente nas últimas décadas. E navegar nos seus canais tornou-se uma arte só acessível a peritos. Para facilitar e dar segurança a quem navega na Ria, a equipa de João Dias criou uma aplicação de uso livre chamada HidroRia: “Consegue fazer previsões de maré para cada um dos portos de pesca e de recreio da região. O que conhecer a forma como a maré se desloca até à cabeceira dos vários canais”, explica.

As alterações no recorte das costas e na hidrodinâmica das rias e estuários não são um exclusivo da Ria de Aveiro. Sucede de norte a sul do País. A erosão costeira, segundo este investigador, está intimamente relacionada com a construção de grandes portos e dos respetivos esporões de abrigo, que corta o trânsito natural dos sedimentos. “Isso é geral, mas torna-se particularmente visível na região da Quarteira e Vale de Lobo, cuja erosão começou com a construção da marina de Vilamoura”, exemplifica João Dias.

A construção de barragens nos rios portugueses também teve um forte impacto na retenção dos sedimentos, impedindo a sua chegada à costa. E com a subida do nível médio das águas do mar está feita uma “mistura explosiva”. Não existem soluções definitivas ou milagrosas, mas é possível realizar algumas obras que minimizem esta erosão costeira, como os recifes artificiais. Para entender esta hidrodinâmica são essenciais modelos que tenham em consideração todos estes fatores.

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