A indústria têxtil está prestes a mudar a sofrer uma reviravolta de 180 graus no que toca aos materiais que são usados no fabrico de roupa. Pelo menos, é o que pretende a Circular Systems, uma startup que converte desperdício alimentar em fibras têxteis.

E esta é uma mudança que não podia vir mais a tempo, dado que a indústria têxtil é uma das mais poluentes à face da terra: requer enormes quantidades de recursos para operar, incluindo água, terra e combustíveis fósseis para produzir tecido.

Em todo o mundo são criados todos os anos cerca de 250 milhões de toneladas de desperdício proveniente de bananas, na forma de cascas e demais plantações alimentares. Este desperdício é, depois, ou queimado ou deixado a apodrecer, opções nada amigas do ambiente – a primeira, polui a atmosfera, a segunda produz metano, um potente gás potenciador do efeito de estufa.

É aqui que entra a Circular Systems, uma startup de Isac Nichelson que converte desperdício alimentar em fibras têxteis. Nichelson há muito que quer mudar a forma como a indústria têxtil opera, quer na dependência de fibras sintéticas, quer na quantidade de químicos usados. Se em 1960 97% das roupas usava fibras naturais, hoje este valor caiu para apenas 35%. Num momento em que cada vez mais se tem consciência das quantidades colossais de plástico que poluem o planeta, esta é a altura certa para lançar uma startup como esta, segundo Nichelson.

A Circular Systems recorre a três tecnologias para trilhar um caminho mais sustentável para a indústria têxtil.

A primeira é a Agraloop Bio-Refinery, um sistema que transforma desperdício das plantações em fibras têxteis e que pode ser usado pelos agricultores para produzir receita adicional.

A segunda tecnologia é a Texloop, que converte desperdício têxtil e roupa usada em novas fibras. É uma tecnologia que permite reaproveitar os 16% de todos os têxteis que acabam inutilizados nas fábricas e os 85% de roupas usadas que acabam nas lixeiras.

A terceira tecnologia é a Orbital, que permite usar fibras de desperdício alimentar e do desperdício têxtil para criar novo material que pode ser usado para fabricar novas peças.

Estas tecnologias despertaram o interesse da H&M Foundation, que lhes atribuiu um prémio de 350 mil dólares (cerca de 300 mil euros), e a Circular Systems está a trabalhar num conjunto de parcerias com a H&M e a Levis para integrar fibras sustentáveis no processo de fabrico destas empresas.

Nichelson indica que o desperdício anual de fibras alimentares corresponde a 2,5 vezes as necessidades do planeta no que toca a tecidos. Nichelson considera que esta deve tornar-se a fonte principal de fibras da indústria têxtil, libertando, assim, terra dedicada à plantação de algodão e outras plantas que não têm valor alimentar.