Nos últimos dias, temos ouvido notícias que impactam diretamente o nosso prato. Uma destas notícias indica que a pesca da sardinha em Portugal e Espanha deve ser interrompida em 2019 segundo o International Council for the Exploration of the Sea (ICES). A outra notícia é ainda mais inacreditável: desde o dia 9 de julho, a Europa está oficialmente sem peixes nas suas águas. 

Mas o que quer isto dizer, na prática? E como é que isto nos afeta? São estas questões que tentámos esclarecer com a Alif (Associação da Indústria Alimentar pelo Frio), com quem falámos das questões básicas que devem passar pela cabeça (ou estômago) da maioria de nós.

 

O que significa ‘acabou o peixe’? Não há mais peixe nos mares europeus? 

Há muito peixe nos mares, mas para manter o equilíbrio dos oceanos é necessário estabelecer um limite à pesca de determinadas espécies de peixes. Só assim será possível manter a sustentabilidade do pescado. 

 

É um desastre ecológico? 

Trata-se de um desequilíbrio grave que, caso não seja atempadamente controlado, pode tornar-se num desastre ecológico. Isso implicaria a extinção/declínio de algumas populações de peixes.

 

Já perdemos algumas espécies?

Ainda não entraram espécies em extinção e espera-se que não venham a entrar. Contudo, há stocks em risco, pelo que a União Europeia estabelece restrições às pescarias em determinadas zonas de pesca da Food and Agriculture Organization (FAO), limitando as capturas a determinadas quantidades ou mesmo impedindo a pesca em algumas épocas do ano.

 

Se não há mais peixe para pescar, o que acontece com os pescadores Portugueses (ou Europeus)? Ficam sem trabalho até ao fim do ano?

A maioria das embarcações está apta para capturar diversas espécies, sendo quase sempre possível haver alternativas (ex: sardinha, carapau…). Estando interdita a pesca da sardinha, há sempre possibilidade de pescar o carapau.

Ainda assim, os pescadores podem usufruir de um subsídio especial atribuído pela segurança social para as paragens de atividade. Do mesmo modo que os armadores são compensados pelos prejuízos dessas paragens.

 

Como perceber de forma muito simples a pesca regularizada? Quem define as quantidades?

Relativamente às águas controladas pela UE, é esta que define as quantidades. Estas quantidades são fixadas em Regulamento da Comissão que fixa Taxas Aquícolas (TAQ´s) e quotas por espécie e zona.

 

Estas quantidades são definidas com base no quê?

São definidas com base no parecer da ICES.

 

Quem fiscaliza e como funciona? 

É periodicamente realizada uma inspeção da biomassa marinha para controlar as quantidades de peixe presentes nos mares. Essa inspeção é da responsabilidade da UE.

 

O que fazer para ajudar enquanto cidadão? Tenho que parar de comer peixe?

Não. No entanto, deve dar prevalência a espécies mais abundantes em cada época do ano (ex: carapau nos meses de Verão). De notar, que a maioria do consumo atual é referente a peixe de aquacultura, pelo que não se levanta a problemática da escassez.

  

Vou sentir que há escassez nos supermercados e restaurantes?

Não se irá refletir qualquer escassez nas grandes superfícies nem na restauração. O mercado adapta-se facilmente aos critérios de pesca impostos.

 

De onde virá, então, o peixe a partir de agora? 

O consumo de pescado em Portugal é cerca de 57kg/per capita, pelo que é necessária a importação para dar resposta à capacidade de consumo da população. O produto não é mais caro por ser importado e cumpre igualmente com os requisitos de sustentabilidade das nossas pescarias.

 

Foto: jean wimmerlin, Unsplash