África: Rápida urbanização está a reduzir acesso da população a água potável

A rápida urbanização que há cinco décadas muda a paisagem africana está a colocar grandes desafios para o abastecimento de água e serviços de saneamento naquele continente, de acordo com um novo relatório publicado hoje pelas Nações Unidas.

De acordo com o Rapid Response Assessment do UNEP, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, os centros urbanos estão a crescer, em África, a um ritmo superior ao de qualquer outra parte do globo, sendo que a população urbana africana sem acesso a água potável aumentou dos 30 milhões, em 1990, para os 55 milhões, em 2008.

Hoje, revela o UNEP, 40% da população africana – mil milhões de pessoas – vivem em áreas urbanas, sendo que 60% destas habitam em favelas ou bairros de lata, locais com graves problemas de saneamento básico.

Neste mesmo período – 1990/2008 – o número de pessoas em todo o mundo sem serviços de saneamento considerados “razoáveis” duplicou, para as cerca de 175 milhões de pessoas, de acordo com o mesmo relatório.

“Estas são realidades extremas e há factos que precisam de ser revelados à medida que os países se preparam para a Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, em 2012”, explicou há minutos, em comunicado, o director-executivo do UNEP e subsecretário-geral da ONU, Achim Steiner.

Esta conferência, também conhecida por Rio+20, irá questionar a Economia Verde no contexto do desenvolvimento sustentável e na erradicação da pobreza.

“Há cada vez mais provas, que [vamos obtendo do nosso] trabalho com a Economia Verde, que podemos começar a trilhar um caminho diferente no que toca à água e saneamento”, continuou o responsável.

O estudo analisou pormenorizadamente cidades como Adis Abeba, na Etiópia, Grahamstown, na África do Sul e Nairobi, no Quénia, áreas metropolitanas que cresceram de forma vertiginosa nas últimas décadas e que hoje enfrentam graves problemas de acesso a água potável e saneamento básico.

“As políticas públicas que redireccionam 0,1% do PIB global por ano podem ser importantes não apenas na questão do desafio do saneamento básico mas também na conservação de água potável, ao reduzir a procura de água em um quinto nas próximas décadas, comparando com as tendências projectadas”, explicou ainda Steiner.

Recorde-se que se celebra amanhã, em todo o mundo, o Dia Mundial da Água, um evento criado em 1993 pela ONU para sublinhar aspectos específicos da sustentabilidade e relacionados com a água.

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