Ainda há esperança para o coelho bravo em Portugal?

O coelho europeu, que tem no território português um dos seus habitat, passou do estatuto de “quase ameaçado”, categoria que se mantinha desde 2008, para “ameaçado de extinção”, de acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Apesar de terem sido implementadas algumas iniciativas na Europa, os cientistas confirmam que a situação piorou nos territórios onde estes animais são nativos, sendo Portugal uma dessas zonas.
É de referir que esta ameaça não tem apenas consequências para os coelhos, considerando que existem outras espécies, algumas também ameaçadas, que dependem destes mamíferos para sobreviver. Por exemplo, o coelho é uma presa essencial para o lince-ibérico, que se encontra em perigo de extinção, ou para a águia-imperial-ibérica, classificada como Vulnerável na Europa e Criticamente Em Perigo em Portugal.
Existem vários factores responsáveis pelo decréscimo progressivo da densidade das populações de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) nos ecossistemas ibéricos: caça intensa, deterioração do habitat, elevadas densidades de predadores generalistas, competição com herbívoros de grande porte, além da espécie estar sujeita a várias doenças, constituindo ambas factores significativos de mortalidade.
No entanto, com o passar dos anos, a espécie vai tornar-se cada vez mais resistente, acreditam os cientistas. Em estudos realizados em laboratório, publicados num artigo científico em 2017, concluiu-se que “pelo menos um terço da população de coelho-bravo em Portugal já apresenta alguma imunidade” à nova estirpe de doença hemorrágica viral.
Por exemplo, nos Açores, a abundância de coelho europeu (também conhecido por coelho bravo) é monitorizada periodicamente pelos Serviços Florestais, através da contagem de coelhos ao longo de percursos pré-estabelecidos.  As contagens são realizadas de noite, com recurso a projetores de luz, e o número de coelhos observados é utilizado para estimar um índice de abundância relativa.  As variações neste índice traduzem as flutuações no efetivo, e permitem avaliar tendências populacionais e ajustar o esforço de caça de forma a assegurar a sustentabilidade deste recurso, bem como o seu equilíbrio com as atividades agrícolas e florestais.  Este método é o mesmo utilizado na monitorização da abundância de outras populações de coelho, da Península Ibérica à Austrália
Porém, para alguns criadores, a via mais segura para garantir que estes animais cheguem à fase adulta, saudáveis e se reproduzam, é a criação em cativeiro. Num ambiente controlado, o coelho bravo está mais protegido das doenças mortíferas que o afetam, tem acesso a comida e a água de qualidade, assim como cresce num habitat relativamente protegido da ação dos seus predadores naturais.
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