Alterações climáticas estão a alimentar épocas de incêndios florestais cada vez mais extremas em todo o mundo

Um novo relatório global traça um retrato preocupante da intensificação dos incêndios florestais a nível mundial, apontando as alterações climáticas como principal fator impulsionador destes eventos extremos.

Redação

Um novo relatório global traça um retrato preocupante da intensificação dos incêndios florestais a nível mundial, apontando as alterações climáticas como principal fator impulsionador destes eventos extremos.

O relatório State of Wildfires 2025, hoje divulgado, revela que, em algumas regiões do planeta, a área ardida por incêndios aumentou até 30 vezes devido às alterações do clima. Trata-se da segunda edição anual deste estudo, que recorreu a imagens de satélite e modelos avançados para analisar a origem e evolução dos incêndios ocorridos entre março de 2024 e fevereiro de 2025, bem como o papel das alterações climáticas e do uso do solo.

Um dos investigadores principais do estudo, o australiano Hamish Clarke, da Universidade de Melbourne, descreve as conclusões como alarmantes: “O nosso estudo mostra que, a nível global, arderam 3,7 milhões de quilómetros quadrados – uma área superior à da Índia. Estamos a assistir, em tempo real, aos efeitos das alterações climáticas a uma escala extrema”, afirma o especialista.

Segundo Clarke, o aumento da temperatura global não só está a criar condições meteorológicas mais propícias à propagação do fogo, como também está a alterar os padrões de crescimento e secagem da vegetação, tornando-a mais inflamável.

Os dados são particularmente preocupantes em regiões como o Pantanal-Chiquitano, na América do Sul, onde os incêndios registados foram 35 vezes maiores do que seriam num cenário sem alterações climáticas provocadas pelo ser humano. Incêndios de grandes proporções atingiram também a Amazónia e o Congo, libertando milhares de milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera.

Na América do Norte, os incêndios de janeiro em Los Angeles foram apontados como sendo o dobro de prováveis devido ao aquecimento global, e devastaram uma área 25 vezes superior à que teria sido atingida em condições climáticas naturais.

O relatório estima que cerca de 100 milhões de pessoas foram afetadas por incêndios entre 2024 e 2025, e que infraestruturas no valor de 215 mil milhões de dólares estiveram em risco direto.

Também na Austrália o impacto foi significativo. A coautora australiana do relatório, Sarah Harris, da Autoridade de Incêndios Rurais de Victoria, explicou que, no país, mais de mil grandes incêndios devastaram cerca de 470 mil hectares na Austrália Ocidental. Na zona central, arderam mais de cinco milhões de hectares e, na região de Mount Isa, os incêndios provocaram impactos consideráveis devido ao fumo.

Em Victoria, o Parque Nacional dos Grampians viu dois terços da sua área consumida pelas chamas, enquanto o incêndio em Little Desert destruiu 90 mil hectares em menos de oito horas.

O relatório traça um cenário futuro preocupante, alertando que, caso as emissões de gases com efeito de estufa continuem a aumentar ao ritmo atual, o planeta enfrentará ondas de calor e secas cada vez mais severas, com incêndios mais frequentes, intensos e devastadores — colocando em risco vidas humanas, património, economias locais e ecossistemas.

Ainda assim, os autores deixam uma nota de esperança.

“O futuro é desafiante, mas não é inevitável. Há tempo para agir”, sublinha Clarke.
“É urgente reduzir drasticamente as emissões de combustíveis fósseis, travar a desflorestação e adotar políticas eficazes de ordenamento do território. Paralelamente, temos de melhorar a gestão da vegetação, preparar as comunidades e reforçar os sistemas de resposta e recuperação após catástrofes”, alerta.

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