Alterações climáticas foram a chave do Congresso Mundial da Água

“AUTOSSUFICIÊNCIA ENERGÉTICA, NEUTRALIDADE DA PEGADA DE CARBONO e a adaptação às alterações climáticas no sector da água foram três das questões mais ouvidas no Congresso Mundial da Água, que decorre até amanhã no Centro de Congressos de Lisboa.

Ontem, o congresso juntou-se à Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, a decorrer nos Estados Unidos, e uniu quatro oradores para discutir os temas perante uma plateia sedenta de soluções.

No palco, Glen Daigger (Presidente da International Water Association), Harry Bode (Ruhrverband, Alemanha), Steve Kenway (Universidade de Queensland, Austrália) e Corinne Trommsdorff (IWA) sublinharam a relação existente entre o sector da água e as alterações climáticas, nomeadamente os efeitos das secas e das cheias nas atividades de abastecimento de água e saneamento de águas residuais com especial impacto na operação das infraestruturas.

O contributo das utilities para as alterações climáticas passa pela adopção de medidas de redução do consumo de energia, mas também de aproveitamento dos seus próprios recursos no sentido da autossuficiência energética, ambas contribuindo para a redução das emissões dos gases de efeito de estufa (GEE).

Os oradores admitiram que, embora as componentes de tratamento de água e águas residuais e, em particular, o seu transporte e distribuição, representem um consumo energético com alguma expressão, o peso mais significativo  reside numa fonte de consumo de energia frequentemente ignorada: os consumidores.

Assim, defenderam que a questão da eficiência energética deve ser planeada abordando o ciclo urbano da água de forma integrada: desde a captação à descarga no meio receptor, passando pelo consumo de água. Um exemplo: um gesto tão simples como tomar um duche quente representa um consumo de energia que vai muito para além do processo de levar água até casa do consumidor, uma vez que o próprio aquecimento da água implica consumos energéticos significativos, que podem ser tornados mais eficientes por exemplo por via do aproveitamento da energia solar.

Todo os oradores concordaram que o objectivo de alcançar a autossuficiência energética e neutralidade de carbono nos sistemas de água pode ser alcançado e já existem muitas soluções para o efeito, sendo que existem por vezes condicionantes locais que dificultam esse processo, desde logo porque o impacto das alterações climáticas é diferente de região para região.

Por fim, aproveitaram para fazer um apelo direccionado às entidades governantes e reguladoras para que lhes seja concebida uma maior liberdade na aplicação de tais soluções.”

A futura Engenheira do Ambiente Inês Vieira vive em Lisboa e foi uma das três vencedoras do concurso “Repórter da Água”, organizado pela Águas de Portugal para promover o Congresso Mundial da Água, a realizar-se esta semana em Lisboa.

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Foto: Kevin Dooley / Creative Commons

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