Ambientalistas céticos quanto a redução de 90% emissões em 2040



Organizações ambientalistas consideram que os transportes põem em risco a redução de 90% das emissões em 2040 na Europa, a consideram que nesse ano a Europa devia atingir a neutralidade carbónica.

A Comissão Europeia propôs ontem uma redução de 90% das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) até 2040, face a 1990, visando tornar a União Europeia (UE) o primeiro continente com impacto neutro no clima até 2050.

A organização ambientalista europeia Transportes e Ambiente (T&E) alertou em comunicado que o setor dos transportes põe em risco o objetivo, que segundo a portuguesa Zero devia ser de neutralidade e não de produção de GEE.

Um objetivo em 2040 que não seja zero emissões líquidas demonstra “falta de liderança global e contradiz o compromisso justo da UE de cumprir o objetivo de 1,5ºC do Acordo de Paris”, diz a Zero.

A T&E, uma federação europeia que junta organizações não-governamentais da área do ambiente e dos transportes, considera o plano “histórico para o clima”, diz que o objetivo mostra que a tecnologia limpa veio para ficar, mas lamenta a falta de referência à eliminação progressiva do petróleo e do gás.

A Comissão prevê que 60% dos automóveis sejam elétricos até 2040, mas para isso são necessárias novas políticas e medidas adicionais, uma delas que todos os novos automóveis e carrinhas de empresas sejam 100% elétricos até 2030.

E nos navios e na aviação, acrescenta, são essenciais mais políticas e mais ambição para a descarbonização.

A Zero, e os restantes membros da Rede de Ação Climática Europeia (que junta organizações de ambiente), admitem que os 90% são um progresso, mas acrescenta que a UE, ao falhar o objetivo da neutralidade climática até 2040, “está a perder uma oportunidade crucial de trazer benefícios ambientais, sociais e económicos fundamentais à Europa”.

Um objetivo de zero emissões líquidas até 2040 poderia mesmo trazer à União Europeia benefícios económicos de, pelo menos, 1 bilião de euros até 2030, refere a Zero.

A associação portuguesa entende que para atingir zero emissões em 2040 os responsáveis europeus não precisam de ir além das soluções já existentes e o mesmo diz também o Gabinete Europeu do Ambiente (EEB na sigla original), outra rede que junta organizações ambientalistas europeias.

Para o EEB a ambição climática da UE é prejudicada com “decisões míopes” na agricultura, e se o objetivo dos 90% revela “algumas boas intenções” mostra também demasiada dependência de tecnologias insuficientes e dispendiosas, e incapacidade de abordar mudanças no setor alimentar e agrícola.

A UE, admite o EEB, arrisca-se a não cumprir os seus objetivos climáticos.

A Zero, ainda no comunicado, afirma que esses objetivos são alcançados se houver uma prioridade na “eliminação progressiva, mas rápida, dos combustíveis fósseis”. O carvão deve ser eliminado até 2030 em toda a Europa, o gás fóssil até 2035 e o petróleo até 2040, afirma.

“As próximas eleições europeias constituem uma grande oportunidade para os cidadãos votarem numa agenda que dê prioridade a uma maior ambição climática e à redução das desigualdades”, diz.





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