Amizade e confiança: Laços sociais fortes promovem cooperação entre hienas para atacar leões



A rivalidade entre hienas e leões é quase lendária. Em clássicos cinematográficos como ‘O Rei Leão’, é bem ilustrada a animosidade entre estas duas espécies icónicas das paisagens africanas.

Na vida real, as hienas, embora possam caçar, tendem a apresentar comportamentos oportunistas e de necrofagia, ou seja, preferem alimentar-se de carcaças de animais já mortos ou roubar presas recém-caçadas a outros predadores, incluindo os leões.

Apesar de terem uma das mais fortes mandíbulas do reino animal, as hienas são mais pequenas do que os leões, pelo que, para enfrentarem o ‘rei da selva’, têm de formar grupos de ataque, verdadeiras turbas.

Um grupo de investigadores da Universidade Estadual do Michigan, após 35 anos de observação de hienas-malhadas (Crocuta crocuta) no Quénia, revela, num artigo publicado na revista ‘Proceedings of the Royal Society B’, que as interações e relações sociais entre indivíduos dessa espécie podem influenciar a forma como se organizam e cooperam para atacar leões.

As hienas-malhadas vivem em sociedades estruturadas, com cerca de 130 membros, lideradas por uma fêmea dominante. As hienas conhecem todos os membros do grupo, participam no cuidado de todas as crias, mesmo que não sejam suas, e tendem a cooperar para defender o seu território. No entanto, para evitarem conflitos, as hienas tendem a passar parte do seu tempo longe do grupo, sozinhas, ou em pequenos grupos.

Na altura de combater um leão, as hienas frequentemente cooperam e formam turbas para atacar e afastar o concorrente, mas esse comportamento é fortemente influenciado pelas relações sociais. Ou seja, é mais provável que hienas que tenham laços sociais mais fortes entre si se juntem para o ataque.

Hienas-malhadas a atacarem uma leoa em grupo.
Foto: Brittany Gunther (licença CC BY 4.0)

Os cientistas dizem que a cooperação não se baseia somente num cálculo de custo-benefício – pois será mais seguro e eficaz enfrentar um leão com outras hienas do que sozinha –, mas que a componente social, da amizade mesmo, é fundamental na decisão.

É também revelado que nessa análise, as hienas tendem a valorizar mais o custo do que o benefício, uma vez que a maioria das hienas estudadas tendiam a formar grupos de ataque quando o risco, de ferimentos ou morte, por exemplo, era menor, independentemente do benefício.

Ainda assim, a força dos laços sociais fazia com que as hienas se juntassem mesmo em situações de maior risco, demonstrando a influência da proximidade entre os indivíduos. A confiança entre os membros do grupo formado para atacar um leão parece atenuar uma eventual resistência em enfrentar o grande predador felino, que é a causa em cerca de 25% das mortes de hienas em meio selvagem.

Leoa a fugir depois de ter sido atacada por um grupo de hienas.
Foto: Brittany Gunther

Os cientistas também perceberam que, em algumas circunstâncias, as hienas atacavam leões sem que houvesse um benefício aparente, como roubar presas. “Houve alturas em que estávamos a observá-las e a pensar ‘Porque é que estão a fazer isso? É mesmo má ideia’”, recorda Kenna Lehman, coautora do artigo.

Kay Holekamp, uma das principais investigadoras neste trabalho, estuda hienas no Quénia desde 1988. Era suposto ser um trabalho de três ou quatro anos, mas a admiração por esses carnívoros fê-la ficar em África para estudar mais a fundo animais que considera terem tanto de estranho como de fascinante.

No domínio do ‘estranho’, poderá destacar-se o facto de a fêmea dominante ter uma espécie de pénis, conhecido como pseudo-pénis, que, na verdade, são estruturas sexuais femininas. Contudo, ainda não se sabe ao certo a razão de ser dessa anatomia peculiar.





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