Análise microbiana dos esgotos vai permitir tomar decisões para melhorar saúde das comunidades

Investigadores da Universidade do Wisconsin, nos Estados Unidos, e do Laboratório de Biologia Marinha, de Massachusetts, estão a utilizar os esgotos como uma ferramenta de saúde pública, argumentando que os resíduos humanos podem ser mais eficazes em medir a obesidade que outros

“Podemos aceder ao microbioma de uma determinada comunidade de forma natural”, explicou ao The Atlantic Murat Evren, um dos co-autores do estudo, que foi recentemente publicado no jornal mBio.

Para justificar este conceito, os autores examinaram mais de 200 amostras de esgotos tiradas das estações de tratamento de 71 cidades norte-americanas, utilizando sequenciação genética para identificar que bactéria vinha das fezes humanas – cerca de 15% em todas as amostras.

Uma cidade tem a sua própria e única assinatura microbiana, que tende a manter-se constante com o tempo. Ao olhar para a análise bacteriana de um esgoto da cidade, os investigadores descobriram que podiam prever a sua taxa de obesidade com uma taxa de certeza entre 81 e 89%.

“É uma forma de termos informações sobre o público sem infringirmos a privacidade do indivíduo”, explicou Eren, referindo-se às entrevistas telefónicas, presenciais e exames que são feitos periodicamente pelo centro de controlo e prevenção de doenças norte-americano.

“Ao olhar para a mudança da composição microbiana, podemos chegar a alguns sinais prematuros de aviso [sobre a saúde da comunidade]”, explicou Eren, acrescentando que existem pistas de toda a nossa sáude nos esgotos.

Nos Estados Unidos, empresas como a uBiome já analisam os microbiomas de cidadãos, depois de analisarem as suas fezes. Agora, a democratização da pesquisa dos nossos resíduos pode ajudar a ciência e as autoridades de saúde a tomarem decisões mais eficientes e inteligentes.

Foto: Seattle Municipal Archives / Creative Commons

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