António Mexia: “Com as renováveis, o cliente é o centro da decisão”

O CEO da EDP falou do poder que o consumidor e cliente vai ganhar com as renováveis e deixou uma ambição: ser líder europeu, em meados de 2011, nos postos de carregamento de veículos eléctricos.

Green Savers

Num futuro próximo, todos poderemos tomar, todos os dias, as decisões energéticas que quisermos.

Imaginem então esta situação: saimos de casa, de manhã, para o trabalho – isto, claro, se não estivermos já em regime de tele-trabalho, mas essa é outra “estória” – e chegamos à garagem, onde o carro eléctrico esteve a noite toda a carregar, e podemos escolher. Vamos de carro? Ou vendemos a energia recolhida de noite e apanhamos o autocarro?

“O futuro vai ser assim. É uma revolução, vamos ter mais opções”, explicou hoje de manhã o CEO da EDP, António Mexia, no SAP Business Forum.

“O cliente vai ser o líder, vai ter a possibilidade de tomar decisões inteligentes. Com as renováveis, o cliente é o centro da decisão”, explicou Mexia, que mais tarde recebeu no Centro de Congressos do Estoril  o ex-vice-presidente norte-americano e provavelmente o mais conhecido activista ambiental do mundo, Al Gore.

O CEO da EDP fez uma análise qualitativa e quantitativa do percurso da EDP na sustentabilidade, falou dos projectos das barragens, do campo de refugiados de Kakuma, no Quénia, onde a empresa portuguesa está a mudar a vida de milhões de pessoas, e também abordou a crise financeira.

“Se hoje cada barril de petróleo está a 80 dólares, estando nós numa crise financeira, este preço nunca mais vai descer. Aliás, não é difícil de prever que, com a retoma, ele chegue rapidamente aos 150 dólares”, explicou Mexia, à medida que anunciava a descentralização da energia e das comunicações como a era da “terceira revolução” industrial.

“A energia será cada vez mais descentralizada e cada pessoa será responsável por ela, esperemos que de forma inteligente. A fusão entre a comunicação descentralizada e a energia descentralizada é uma nova revolução”, continuou.

Continuando a explicar que o consumidor está hoje no centro das decisões, Mexia terminou os 40 minutos que lhe estavam reservados com um desejo: até meados de 2011, a EDP quer ter 1.300 postos de carregamento de carros eléctricos na Europa. E ser líder também nesta área. Falta de ambição, diga-se em forma de conclusão, é coisa que não falta ao CEO da EDP.

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