Apenas 100 empresas são responsáveis por 71% das emissões globais de gases de efeito estufa nas últimas três décadas, revela o estudo “Carbon Majors Report”, realizado pela ONG Carbon Disclosure Project (CDP). O estudo revela mesmo que 25 companhias apenas são a fonte de mais de metade dos gases desde 1988, quando o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas foi criado.

Entre os principais poluidores encontra-se à cabeça a Indústria de carvão chinesa, que é controlada por um grupo de empresas estatais chinesas, razão pela qual o estudo decidiu englobar o resultado. Só elas foram responsáveis por 14,3% das emissões de gases de efeito de estufa. Segue-se à empresa petrolífera estatal da Arábia Saudita, a Saudi Aramco com 4,5% e a Gazprom, a estatal russa, com 3,9%. Ou seja, os principais poluidores são empresas estatais, mas infelizmente em países onde a força da opinião pública não é a mais forte.

Segundo o jornal online britânico The Independent, o estudo identifica também os principais poluidores entre as empresas privadas e são elas a ExxonMobil, a Shell, a BP e a Chevron, as grandes petrolíferas. Juntas são responsáveis por um quinto das emissões

Por isso a CDP diz que os investidores podem ter uma palavra fundamental no combate às alterações climáticas, se decidirem exercer pressão sobre os respetivos conselhos de administração no sentido de alterarem as suas politicas.

Desde 1988 que estas companhias sabem perfeitamente os efeitos dos seus produtos sob o meio ambiente e, no entanto, refere o relatório, “a maioria das empresas expandiu significativamente as actividades de extracção. Já as fontes de energia renováveis têm tido investimentos pequenos”.

A maioria da informação utilizada na compilação deste relatório é pública, e foi compilada pela “Carbon Majors Database”. Pedro Faria, director técnico do CDP, refere que o objectivo do relatório “não é nomear ou envergonhar empresas, mas sim chamar a atenção para o facto extraordinário de apenas 100 empresas terem desempenhado um papel tão importante na criação deste problema”. Logo, continua Pedro Faria, “é óbvio que têm de ter a sua quota parte de responsabilidade na solução”.

Foto: CC0 Public Domain

 

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