Apesar dos esforços de conservação dos peixes predadores, tubarões continuam em declínio, alerta estudo



Grandes peixes predadores que habitam os oceanos do planeta, como atuns, os espadins e os tubarões, desempenham um papel fundamental na regulação da estrutura, função e estabilidade dos ecossistemas oceânicos, pelo que a sua monitorização e conservação assumem uma grande importância para a proteção dos mares.

Contudo, uma nova investigação realizada por cientistas dos Estados Unidos, Canadá e Espanha revela que, apesar de se ter observado a recuperação de populações de atuns e de espadins a partir da década de 2010, as populações de tubarões continuam em declínio. Se não forem “urgentemente” implementadas medidas que protejam esses grandes predadores oceânicos, “o seu risco de extinção continuará a aumentar”, avisam num artigo publicado na revista ‘Science’.

Para tal, os especialistas defendem a importância de definir “objetivos claros para a biodiversidade” e a implementação de “medidas de gestão de pescarias e de conservação baseadas na ciência e regulamentos de comércio internacionais”, e argumentam que, “enquanto populações de espécies com elevado valor comercial estão a ser reconstituídas”, as populações de tubarões “são altamente mal geridas”.

Nas antevésperas da cimeira mundial da biodiversidade, a COP15, que terá lugar em dezembro em Montreal, no Canadá, os autores escrevem que “recentes avaliações sobre a biodiversidade global mostram que a ação humana tem causado declínios sem precedentes na abundância de espécies selvagens, ameaçando a integridade e o funcionamento dos ecossistemas da Terra”. No entanto, salientam que os impactos sobre os ecossistemas oceânicos continuam a ser pouco estudados.

Os cientistas explicam que desde os anos de 1950, “a mortalidade média de peixes tem vindo a aumentar”, resultando na perda de biomassa de peixes predadores oceânicos e atingindo os piores valores por volta de 2008. E apontam como principal responsável a pesca industrial, que reduziu a diversidade das espécies do mar alto, mas afirmam que é possível reverter essa tendência de declínio com “ações decisivas” por parte das autoridades reguladoras da atividade piscatória, como se viu com os casos do atum e do espadim-azul. Ainda assim, é preciso esforços semelhantes para que as populações de tubarões possam, também, recuperar, com especial enfoque para as espécies que são capturadas acidentalmente.

O artigo sugere que “parece haver grande resistência” em implementar “qualquer medida que possa significativamente reduzir a mortalidade dos tubarões devido à pesca”, e os cientistas dizem que a não ser que sejam tomadas ações urgentes para uma melhor gestão dos mares, a trajetória de perda de diversidade dos tubarões “continuará a piorar no futuro”.

“Definir novas prioridades e estabelecer objetivos e metas claras para travar e reverter a perda de biodiversidade oceânica” continua a ser uma grande desafio, afirmam.



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