Área afectada por incêndios na Sibéria aumentou dezenas de milhares de hectares

“Em comparação com ontem (terça-feira), há quatro novos focos, que ocupam uma área de 25 mil hectares”, indica a agência de notícias Ria Novosti, citando um comunicado do Ministério para Situações de Emergência russo.

Há várias semanas que os incêndios florestais afectam a Sibéria, abrangendo actualmente cerca de 24 mil quilómetros quadrados, segundo dados oficiais do Ministério.

Entretanto o estado de emergência foi decretado nas regiões de Irkutsk, Buriácia, Sakha e Krasnoyarsk.

O comunicado do Ministério para Situações de Emergência russo reflecte a situação em Irkutsk, onde está localizado o lago Baikal e que é um dos mais afectados pelos incêndios, onde actualmente existem 136 focos activos, equivalentes a 675.488 hectares de floresta.

Na noite de terça-feira a área afectada em Krasnoyarsk aumentou de 30 mil para 859 mil hectares.

Segundo a organização não-governamental Greenpeace, 90% dos incêndios estão nas chamadas “zonas de controlo”, áreas remotas onde as autoridades locais não são obrigadas a intervir para combater as chamas.

Nas próximas semanas a situação “possivelmente continuará a ser catastrófica”, devido às condições meteorológicas e à força do vento, alertou a Greenpeace, indicando ainda que 90% dos incêndios estão nas chamadas “zonas de controlo”, onde as autoridades não são obrigadas a intervir.

Na terça-feira, centenas de habitantes de Novosibirsk, uma das maiores cidades da Sibéria, saíram às ruas em protesto contra a recusa das autoridades em alocar recursos para a extinção de fogos na floresta siberiana de taiga.

Face às críticas, a Procuradoria-Geral da Rússia anunciou que vários dados estatísticos sobre os fogos florestais foram manipulados por autoridades locais.

“Detectámos a deturpação de dados sobre a data de extinção dos incêndios. Podemos falar com certeza de manipulações em Irkutsk e noutras regiões”, disse o porta-voz do departamento de protecção ambiental da Procuradoria-Geral russa, Roman Fedosov, citado pela agência EFE.

Além das datas de extinção dos fogos, foram manipulados dados relativos à distância em relação às populações, assim como os locais dos incêndios. O que terá impedido uma reacção adequada dos serviços de emergência, indicou Roman Fedosov.

O responsável acrescentou que ainda estão a ser analisados os dados de Krasnoyarsk, região que, com a de Irkutsk, é uma das mais afetadas pelos fogos, assim como da Buriácia.

As autoridades anunciaram que receberam informações sobre a possível natureza intencional de alguns incêndios, a fim de ocultar casos de extracção ilegal de madeira.

Os ambientalistas consideram que a magnitude deste desastre já atingiu proporções planetárias.

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