A artista argentina Marta Minujín criou uma réplica de tamanho natural do Parthenon usando 100.000 livros proibidos de todo o mundo. É uma das obras de 160 artistas que participam na Documenta 14, grande exposição de arte contemporânea, que se realiza na cidade de Kassel, na Alemanha, até 17 de Setembro.

Esta enorme instalação tem feito furor em todo o mundo. Apesar de ser um “remake” de outras instalações já realizadas pela artista, a réplica do famoso templo grego onde a democracia nasceu tem um simbolismo duplo. No caso, porque está localizada na Friedrichsplatz da cidade alemã de Kassel, onde mais de 2.000 livros foram queimados num único dia pelos nazis, em 1933. Segundo Minujín, a ideia de fazer esta construção com livros proibidos é um símbolo de resistência à perseguição e um apelo à liberdade de expressão em todo o mundo.

Milhares de livros foram doados para que esta instalação em crescimento contínuo fosse possível. A artista contou com a colaboração de estudantes da Universidade de Kassel para identificar quase 200 títulos que foram banidos em algum momento da história. Foi depois feito um apelo para que pessoas em todo o mundo fizessem doações das suas próprias cópias. Foram recebidas centenas de milhares de livros envolvidos em plástico para protecção e para que fossem facilmente identificados.

O Documenta 14 é uma importante exposição de arte contemporânea a nível mundial, criada em 1955, para tentar fazer renascer a Alemanha, após o período nazi. Este ano, o evento, que tem sempre um cariz político centra-se em temas como a insegurança económica, a turbulência política, e o crescimento dos movimentos populistas na Europa ou o das migrações, dividiu-se em dois palcos: Atenas e Kassel, onde se esperam cerca de um milhão de visitantes.

Foto: Roman März / documenta 14 

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