Austrália prepara rede indígena para liderar investigação ambiental

Mais de 300 pessoas participaram, ao longo dos últimos dois anos, num processo de consulta alargado com vista à criação de uma Rede Nacional Indígena de Investigação Ambiental (NIERN, na sigla inglesa), uma estrutura pensada, liderada e gerida por povos indígenas, com o objetivo de orientar as prioridades nacionais em matéria de investigação ambiental.

Redação

Mais de 300 pessoas participaram, ao longo dos últimos dois anos, num processo de consulta alargado com vista à criação de uma Rede Nacional Indígena de Investigação Ambiental (NIERN, na sigla inglesa), uma estrutura pensada, liderada e gerida por povos indígenas, com o objetivo de orientar as prioridades nacionais em matéria de investigação ambiental.

O modelo proposto — divulgado hoje, juntamente com recomendações de governação e um plano de viabilidade — prevê uma organização baseada em adesão, centrada nas comunidades indígenas e com autonomia para prestar serviços de apoio que facilitem a ligação entre investigadores e utilizadores de investigação ambiental indígena.

O projeto é desenvolvido no âmbito do National Environmental Science Program (NESP) e é liderado pelo professor Stephen van Leeuwen e pela investigadora Teagan Shields, ambos da Curtin University, com a colaboração da investigadora Leah Talbot, da North Australian Indigenous Land and Sea Management Alliance (NAILSMA), ligada ao Marine and Coastal Hub do NESP.

“A NIERN inverte o paradigma da investigação ambiental”, explica Teagan Shields, citada em comunicado. “Em vez de os investigadores definirem os temas de estudo, começa-se pelas prioridades das comunidades, procurando depois os investigadores certos para dar resposta a essas necessidades. Este modelo, sustentado por uma governação indígena forte, tem potencial para transformar a forma como se concebe e realiza investigação ambiental na Austrália, assegurando benefícios concretos tanto para a Terra como para os povos que dela cuidam”, adianta.

Atualmente, os povos indígenas detêm, gerem ou têm direitos sobre cerca de 60% do território australiano, incluindo vastas zonas costeiras e marinhas — áreas com uma biodiversidade rica e uma herança cultural significativa. No entanto, grande parte da investigação realizada nesses territórios tem sido conduzida sem liderança indígena nem envolvimento efetivo das comunidades.

“Com a NIERN, vamos criar espaço e estruturas para que os povos indígenas possam definir desde o início a agenda da investigação ambiental, em vez de serem apenas convidados a participar”, sublinha Leah Talbot. “É desta forma que a investigação pode trazer benefícios reais para o território e para as comunidades, com resultados relevantes, respeitosos e duradouros”, conclui.

Através de oficinas, mesas-redondas e estudos de caso realizados durante o processo de consulta, as comunidades indígenas identificaram quatro áreas prioritárias para atuação da NIERN: gestão de territórios terrestres e marinhos; alterações climáticas e adaptação; entidades culturais significativas; e planeamento regional biocultural.

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