Babuínos, chimpanzés e cólobos são dos primatas africanos mais comercializados em todo o mundo

Entre 2000 e 2023, mais de 6.000 primatas africanos foram comercializados internacionalmente de forma legal em mais de 50 países. Especialistas alertam que o comércio ilegal afeta ainda mais milhares e falam de uma “crise” que se está a abater sobre esse grupo de animais.

Filipe Pimentel Rações

Entre 2000 e 2023, mais de 6.000 primatas africanos foram comercializados internacionalmente de forma legal em mais de 50 países. Especialistas alertam que o comércio ilegal afeta ainda mais milhares e falam de uma “crise” que se está a abater sobre esse grupo de animais.

De acordo com uma análise publicada em novembro pela organização Pan African Sanctuary Alliance (PASA), espécies ameaçadas, como os chimpanzés (Pan troglodytes) e os gorilas-do-ocidente (Gorilla gorilla), estão a ser comercializadas internacionalmente de forma legal ao abrigo da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES).

Os registos nas bases de dados da CITES indicam que entre 2015 e 2023 foram registados um total de 5.286 casos de comércio de primatas africanos. Durante esse período, os macacos representaram 86,2% de todos os registos de comércio legal de primatas, ao passo que os grandes símios, onde se incluem os chimpanzés e os gorilas, representaram 13,8%.

Na lista das 10 espécies de primatas africanos mais comercializadas legalmente entre 2015 e 2023, com base nos dados da CITES, o primeiro lugar é ocupado pelos babuínos da espécie Papio ursinus, o segundo pelos babuínos Papio cynocephalus e o terceiro pelos chimpanzés.

Em quarto lugar surgem os babuínos Papio anubis, em quinto os cólobos-guereza (Colubus guereza), em sexto os babuínos-hamadrias (Papio hamadryas), em sétimo os macacos Erythrocebus patas, em oitavo os macacos-de-brazza (Cercopithecus neglectus), em nono os gorilas-do-ocidente e em décimo os mandris da espécie Mandrillus sphinx.

Embora os grandes símios – chimpanzés e gorilas – estejam em menor número de espécies e de indivíduos no comércio internacional legal, os autores do relatório não deixam de frisar que o facto de poderem ser comercializados nos termos da CITES é preocupante, não só porque são espécies ameaçadas, mas porque se reproduzem lentamente, o que faz com que a reposição das populações na Natureza seja mais lenta quando são capturados indivíduos para comércio.

Das 10 espécies mais comercializadas, apenas os gorilas-do-ocidente (Criticamente em Perigo), os chimpanzés (Em Perigo) e os mandris (Vulnerável) estão classificados com estatuto de ameaça na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

A maior parte dos primatas africanos são comercializados legalmente a nível internacional como troféus, para efeitos de investigação científica ou para reprodução em cativeiro em zoos, por exemplo.

Quanto às fontes, o relatório revela que entre 2015 e 2023 a maior parte dos primatas comercializados internacionalmente teve origem em populações selvagens, ou seja, foi capturada diretamente na Natureza.

O documento debruça-se também sobre o comércio ilegal, com base em dados da organização não-governamental Traffic. Entre 2019 e 2021 observou-se um aumento acentuado do número de apreensões de primatas (em aeroportos ou instalações portuárias, por exemplo). Desde então, o número de apreensões tem vindo a cair, o que se pode dever a vários fatores, dizem os relatores: diminuição dos esforços de reporte por parte das autoridades, um real decréscimo da atividade ilegal, ou outros.

Entre os países mais associados ao comércio ilegal de primatas estão a República Democrática do Congo, em primeiro lugar, seguida pelos Camarões, Libéria, Congo, Uganda, Costa do Marfim, Zâmbia, Gabão, Togo e África do Sul.

A persistência e em alguns casos aumento do comércio, tanto legal como ilegal, de primatas é considerado preocupante, uma vez que se estima que 93% das populações de primatas em todo o mundo estejam em declínio. Além disso, 63% de todas as espécies de primatas estão ameaçadas de extinção e no continente africano são mais de metade (54 de 103).

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