Beija-flores conseguem ver cores que os humanos não identificam

Encontrar comida ou companheiros, escapar de predadores ou mover as crias depende da sua excelente visão e capacidade de distinguir cores.

Uma equipa de cientistas mostrou que os beija-flores veem até cores que não são visíveis ao olho humano, aquelas que estão fora do espectro eletromagnético.

Para investigar como os pássaros percebem o seu mundo colorido, cientistas de várias universidades americanas lideradas pela Universidade de Princeton realizaram um estudo com beija-flores num ambiente natural. Os resultados foram publicados esta semana na revista PNAS.

“Quando comparados aos pássaros e a muitos outros animais, os seres humanos são daltónicos ”, resume Mary Caswell Stoddard, Professora Associada do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da Universidade de Princeton.

Nos olhos, existe um tipo de células fotossensíveis (os cones) que estão localizadas na retina e são responsáveis ​​pela acuidade visual e pela diferenciação de cores.

Os seres humanos têm três tipos de cones, sensíveis ao vermelho, verde e azul, permitindo ver as cores visíveis do espectro eletromagnético e uma que está fora do espectro, roxa, que fica entre vermelho e azul.

No entanto, os pássaros têm quatro cones na retina, os três que nós humanos temos e um quarto que é sensível à luz ultravioleta que lhes permite ver uma gama completa de cores fora do espectro.

Os beija-flores são perfeitos a ver as cores na natureza. Eles evoluíram para responder às cores das flores que anunciam uma recompensa do néctar, para que possam aprender as associações de cores rapidamente e com pouco treino “, explica a bióloga.

Para os humanos, o roxo é o exemplo mais claro de cor não espectral: tecnicamente não está no arco-íris, mas surge quando os nossos cones azuis (onda curta) e vermelho (onda longa) são estimulados, mas não o verde (onda média).

Mas enquanto os humanos vêem apenas uma cor não espectral, o roxo, os pássaros – teoricamente – podem ver até cinco: roxo, ultravioleta + vermelho, ultravioleta + verde, ultravioleta + amarelo e ultravioleta + roxo.

“Ter um quarto tipo de cone de cor amplia a gama de cores visíveis aos pássaros sob luz ultravioleta, mas também permite que eles percebam uma combinação de cores como ultravioleta + verde e ultravioleta + vermelho”, diz Stoddard.

No Laboratório Biológico das Montanhas Rochosas (RMBL), no Colorado, Estados Unidos, os investigadores treinaram beija-flor de cauda larga (Selasphorus platycercus) para participar em experiências e determinar quantas cores não espectrais essas aves podem ver.

Os cientistas primeiro construíram um par de tubos LED personalizados, programados para exibir uma ampla gama de cores, incluindo os não espectrais, como ultravioleta + verde, e depois fizeram experiências num prado alpino que é ocupado por beija-flores de cauda longa, um tipo de beija-flor adaptado às alturas e ao frio.

Todas as manhãs, os investigadores colocavam dois alimentadores: um com água açucarada e outro com água normal e, ao lado de cada alimentador, um tubo de LED que emitia cores diferentes.

Os investigadores mudavam periodicamente a posição dos tubos, para que os pássaros não pudessem usar o local para obter água com açúcar.

Em algumas horas, os beija-flores tinham aprendido que cor deveriam visitar se quisessem a recompensa doce.

As experiências mostraram que os beija-flores veem uma variedade de cores não espectrais, como roxo, ultravioleta + verde, ultravioleta + vermelho e ultravioleta + amarelo.

“A luz ultravioleta + verde e a luz verde pareciam-nos idênticas, mas os beija-flores continuaram a escolher corretamente a luz ultravioleta + verde associada à água com açúcar”.

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