Biocombustíveis: um sexto da oferta mundial de milho é queimada nos carros americanos

Um sexto da oferta mundial de milho é queimada em carros americanos, denuncia Bjorn Lomborg. Seria o suficiente para alimentar 350 milhões de pessoas durante um ano.

Green Savers

“Os Estados Unidos gastam todos os anos cerca de 4,23 mil milhões de euros em apoios federais para ajudar a produção de etanol, através de créditos fiscais, tarifas e outros programas. Graças a estes apoios financeiros, um sexto da oferta mundial de milho é queimada em carros norte-americanos. Esta quantidade de milho é suficiente para alimentar 350 milhões de pessoas durante um ano inteiro”.

O parágrafo entre aspas pertence, na íntegra, ao dinamarquês Bjorn Lomborg – autor, entre outros, de O Ambientalista Céptico – no seu artigo de opinião regular publicado no Project Syndicate.

O artigo pode ser lido aqui.

Escreve Lomborg que está em curso, nos Estados Unidos, uma “longa campanha de marketing destinada a vender os méritos dos biocombustíveis aos norte-americanos”, que terá começado durante a prova automobilística Daytona 500, na Florida, onde os carros passaram a usar a gasolina com 15% de etanol.

“A parceria entre um passatempo adorado pelos norte-americanos e o lobby dos biocombustíveis marca a última tentativa para influenciar a opinião pública a favor de uma política verdadeiramente irresponsável”, afirma Lomborg.

O dinamarquês atira contra todos os alvos e nem o presidente norte-americano escapa. “Um representante da Administração Obama garantiu que, apesar da maior subida dos preços dos alimentos que o mundo já assistiu, não há razão para tirar o pé do acelerador no que diz respeito aos biocombustíveis”, revela.

Como seria de esperar, o apoio do Governo de Obama ao rápido crescimento da produção de biocombustíveis tem provocado alguma “confusão na produção de bens alimentares”.

Nos Estados Unidos mas também Europa, o biocombustível consumiu, em 2010, mais de 6,5% da produção global de sementes e 8% de todo o óleo vegetal, quando em 2004 estas percentagens representavam 2% e praticamente 0%, respectivamente.

Recorde-se que os preços dos bens alimentares a nível mundial são os mais altos desde que as Nações Unidas começaram a registá-los, em 1990, uma situação impulsionada sobretudo pelo preço do milho.

Pura coincidência ou mais uma dor de cabeça para a estratégia global de desenvolvimento sustentável?

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