BP Energy Outlook: aqui estão as respostas para a evolução energética global até 2030

Nas próximas duas décadas, o carvão e o petróleo vão perder quota de mercado, à medida que todos os combustíveis fósseis apresentam taxas de crescimento mais baixas. Assim, a contribuição dos combustíveis fósseis para o crescimento da energia primária deverá cair de 83% (1990-2010) para 64% (2010-2030). No mesmo período, a contribuição das energias renováveis para o crescimento energético deverá aumentar de 5 para 18%.

Esta foi a principal conclusão do BP Energy Outlook 2030, um estudo que a BP Portugal acaba de disponibilizar e que faz algumas das projecções daquilo que se espera que seja o mercado da energia dentro de 20 anos.

Mas há mais conclusões. De acordo com o estudo, o gás é o combustível fóssil de maior crescimento, e a contribuição conjunta de todos os combustíveis não fósseis (incluindo o nuclear e a hidroeléctrica) é, pela primeira vez, maior do que a de qualquer combustível fóssil.

As projecções que constam neste documento tiveram por base modelos económicos e representam a melhor estimativa da BP para as tendências do mercado energético mundial em 2030.

Com um mundo a duas velocidades (OCDE e Países não OCDE), em que os países desenvolvidos estão numa tendência decrescente de produção e consumo energético comparativamente ao crescimento exponencial que se espera de economias emergentes, como a Índia ou a China, o presidente da BP Portugal, Francisco Vieira, considera que estes dados são um “despertador para os decisores nacionais e mundiais que têm uma intervenção directa nas políticas energéticas”.

Em relação à projecção do BP Energy Outlook 2030 para a emissão de gases com efeito de estufa, Francisco Vieira diz que estes números deverão ser encarados como um “alerta” para os governantes.

Assim, e segundo o estudo, os países não OCDE deverão aumentar em 52% a sua emissão de CO2 até 2030, em grande parte devido ao processo de industrialização na China e na Índia. Como resultado das diversas políticas energéticas em curso, os Países da OCDE deverão apresentar uma redução de 10% nas emissões de gases com efeitos de estufa.

Conheça o estudo na íntegra. Aqui e aqui (resumo).

O documento foi apresentado no primeiro encontro Academia BP, um evento organizado pela BP Portugal em conjunto com o Clube ISCTE com o objectivo de criar um espaço de reflexão e de debate sobre temas energéticos no âmbito da Gestão Empresarial.

Para além de Francisco Vieira, a apresentação do Outlook contou com a presença de Luís Mira Amaral, professor universitário e antigo ministro da Indústria e da Energia do Governo de Aníbal Cavaco Silva

Assim, e se para Francisco Vieira uma das vias a seguir para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa consiste na aposta nos biocombustíveis, nomeadamente no etanol, Mira Amaral considera que estes apenas poderão ser cruciais numa “fase transitória” no que diz respeito à mobilidade. “Este tipo de combustível poderá ser essencial numa fase em que o carro eléctrico ainda não estará massificado”, concluiu.

Mira Amaral considera ainda que o futuro das energias limpas reside nas renováveis hídricas e na Biomassa e não nas energias da “moda”, como a solar (fotovoltaica) ou a eólica. “Estes dois tipos de energia vão representar em 2030 apenas 3% da quota mundial da oferta energética. O mundo não pode contar com elas para resolver o problema”, sublinhou.

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