Caça ilegal pode dizimar um quinto da população de elefantes africanos na próxima década

A caça ilegal matou 22 mil elefantes africanos em 2012 e os números, ainda que provisórios, para 2013 indicam que o número deverá ser superior.

Green Savers

Em 2012, foram mortos ilegalmente menos três mil elefantes africanos que em 2011, revela um relatório da Convenção para o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Naturais Ameaçadas de Extinção (CITES, na sigla inglesa), que monitoriza várias populações de elefantes.

Apesar de ter havido uma redução, o número de animais mortos devido à caça para o tráfico ilegal de marfim ascende a 22 mil em 2012, o que equivale uma taxa de caça ilegal (a proporção de elefantes abatidos ilegalmente face ao número da população total) de 7,4%. Este valor da taxa de caça ilegal é superior ao aumento natural da população de elefantes africanos, que não excede os 5% ao ano. Face a este elevado número de elefantes mortos de forma ilegal, a CITES estima que um quinto da população destes elefantes pode ser dizimada na próxima década, refere o Quartz.

A apreensão de carregamentos ilegais de marfim, que os analistas comerciais consideram ser um bom indicador das tendências de caça furtiva, aumentou ligeiramente em 2012. Mas o número de carregamentos ilegais apreendidos já em 2013 aponta para que o valor seja 20% superior em relação ao de 2011. Para além de estar a aumentar o número de apreensões, a quantidade de marfim confiscada por carregamento também está a aumentar. A quantidade de marfim confiscada este ano está a ser a maior dos últimos 25 anos.

A diminuição do número de elefantes mortos ilegalmente em 2012 pode estar relacionada com o facto de o número de carregamentos de marfim ser menor em quantidade, mas maior em volume, já que o peso médio dos carregamentos aumentou 15% em comparação com 2011.

Um dos principais mercados de exportação de marfim é a China. “Em última análise, o abate ilegal de elefantes para o comércio de marfim é impulsionado e sustentado pela procura de consumidores que estão dispostos a pagar por marfim ilegal, tal como averiguado pelo consumo doméstico na China”, refere o relatório.

Para combater o aumento da caça furtiva, não só de elefantes, mas também de outras espécies protegidas, a União Europeia aprovou esta semana um programa destinado a melhorar a protecção dos elefantes, grandes símios e rinocerontes em África, assim como de outras espécies, como as tartarugas marinhas das Caraíbas e Pacífico.

O programa deverá reforçar a monitorização das populações animais e da caça ilegal, ajudar a reforçar o enquadramento legal para a caça furtiva e permitir a criação de um sistema de resposta de emergência para aumentos súbitos da caça e do comércio ilegal.

O programa – Minimising the Illegal Killing of Elephants and other Endangered Species (MIKES) – será financiado com €12,3 milhões para o period de 2014-2018 e vai ser implementado pela CITES, em colaboração com várias agências de protecção da vida animal africanas.

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